10 de julho de 2026
Regional

Promotoria analisa caso de bebê entregue a policiais


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Botucatu - A Promotoria da Infância e Juventude de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) analisa entrar com ação para tirar da doméstica Jocilene Veloso Schott, 33 anos, a guarda de seu filho. O recém-nascido foi entregue à Polícia Militar (PM) por ela, que alegou tê-lo encontrado anteontem de madrugada dentro de um saco de lixo, na lixeira em frente à sua residência, na rua Edgar de Alencar Saboya, no Parque Marajoara.

Os policiais levaram o bebê, que pesava pouco mais de 2,8 quilos, ao Pronto-Socorro Municipal. Por volta das 2h30, ele foi transferido pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Unesp com quadro de hipotermia grave (temperatura corporal abaixo de 34 º C) e frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto.

No final da tarde do mesmo dia, após investigações conduzidas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Jocilene acabou confessando que era a mãe da criança e que havia inventado a história porque não tem condições financeiras de cuidar do filho. Segundo a titular da unidade, delegada Simone Alves Firmino, como o abandono não ficou configurado, ela irá responder apenas por comunicação falsa de crime, crime cuja pena pode chegar a seis meses de detenção.

A doméstica também foi levada ao hospital, onde passou por procedimentos pós-parto. Até ontem à tarde, ela e o filho permaneciam internados. Segundo o hospital, o quadro de saúde do recém-nascido é estável e ele está se ali-mentando de leite materno do banco de leite do HC. Ontem, novos exames foram realizados. A mãe permanecia em observação de deverá ter alta nos próximos dias.

A família de Jocilene informou que não sabia da gravidez dela. "Nossa família está muito abalada. A gente desconfiou da gravidez, mas ela negou, dizia que estava engordando porque estava com problema de saúde. E sempre cuidou bem das crianças, não dá para acreditar", disse a irmã, Jocelma. A doméstica tem outras três filhas - duas moram com o pai, no Paraná, onde ela vivia até quatro meses atrás e a terceira, de seis anos, mora com ela.

O promotor da Infância e Juventude do município, Eduardo José Daher Zacharias, aguarda laudo do setor social e psicológico do Fórum para avaliar versão da mãe. "Vou estudar se cabe uma ação pedindo suspensão ou destituição do poder familiar da mãe, e se cabe a entrega da criança à família extensa, que são os parentes, ou à família substituta, por meio de adoção", disse. Se a criança tiver alta durante o processo, deverá ficar numa casa transitória até decisão do juiz.