Impera-se o "momento light". Tudo é "light"... Discursos, principalmente.
Estamos na era da economia vocabular: fala-se o mínimo, somos "basics". Assim, a prática da oratória cedeu lugar aos falares mínimos e, consequentemente, vistos como simples, mas francos. Não é verdade. O "reinado das formas breves" roubou de cena os debates complexos, longos e específicos; todavia produziam reflexões e análises criteriosas. Herança da tevê: a brevidade das coisas, das relações, dos discursos midiáticos...
O orador clássico não tem espaço, foi tirado de cena! Ele encontrava sua verdadeira dimensão no aglomerado popular, que já não existe mais, apenas presente nos estádios futebolísticos mundo afora... estamos em casa, à frente dos computadores, das tevês, ou celulares... somos "lights", pois a massa não se deixa mais reunir sobre uma cena política. Assistimos aos espetáculos em domicílio, nas filas bancárias, nos supermercados; individualmente.
E os discursos? São vistos também individualmente, assim... simples. Discurso para a massa: informal, "de casa", bem simples, "da hora"... percebe-se nos discursos políticos, religiosos,...enfim, nos discursos atuais (cada vez menores) a simplicidade vocabular, a "minimização" das estruturas gramaticais, a coqueluche de jargões com seus sentidos múltiplos... Discursos abreviados, não menos espetaculosos! Entretanto, essa "simplicidade" não garante a transparência das intenções...
Rosana Utida