Madri - Jovens, discretos, avessos ao islã. Nacionalistas, xenófobos e cibernéticos.
No novo perfil de membros de grupos e movimentos de extrema direita na Europa, traçado pela Europol (polícia europeia) e por especialistas ouvidos pela reportagem, a Internet tem protagonismo fundamental.
É na plataforma virtual, mais que em manifestações, que esses grupos mantêm a maior parte de suas atividades, de acordo com o sociólogo norueguês Francis Björn.
"Como Anders Breivik (autor dos atentados na Noruega), são pessoas que raramente causam distúrbios sociais. Mas, na rede, eles revelam sua face xenófobia."
Para despistar a atenção da polícia, usuários das mais de 5 mil plataformas de xenofobia na Internet catalogadas pela Europol usam técnicas como o cadastro em um servidor estrangeiro ou sua troca constante.
Esses grupos se beneficiaram também, segundo Björn, da crise econômica de 2008.
Com o desequilíbrio da economia na Europa e o disparo do desemprego, partidos de ideologia ultradireitista têm conseguido participações históricas em eleições.
Na Hungria, por exemplo, o extremista e anti-cigano Jokke se tornou a terceira força política. Em 2010, o Partido Nacional Britânico, que proíbe negros em suas filas, conseguiu representação no Parlamento Europeu.
Neste ano, na Espanha, a Plataforma Per Catalunya, nacionalista e anti-imigração, conseguiu quase 20% dos votos nas eleições internas de maio na Catalunha.
Voto de protesto
"Esses partidos souberam tirar proveito do voto de protesto contra a crise", diz o cientista político Frans Jordí, estudioso de migrações e extrema direita na Europa.
No caso da Espanha, os protestos dos "indignados" criaram uma onda de manifestações contra o governo. Com isso, beneficiaram a direita conservadora, que teve vitória sobre os socialistas. "Não sou xenófobo, mas há coisas com que não concordamos. Aqui, os estrangeiros podem tudo. É só chegar que o governo dá até hotel", diz o estudante norueguês Helge Slöven, 28 anos.