09 de julho de 2026
Articulistas

O sonho não acabou

Renato Zaiden
| Tempo de leitura: 5 min

Primeiro de Agosto, dia do aniversário da nossa cidade sede, estamos todos comemorando essa grande data com uma edição especial e com uma megafesta chamada Viva Bauru, que tem o Jornal da Cidade como idealizador e um dos seus viabilizadores e organizadores.


Mas hoje também completamos 44 anos de fundação do JC e como o nosso negócio é levar a informação e só de vez em quando ser a notícia, agradecemos pelos cumprimentos, os parabéns e, principalmente, o carinho e a credibilidade que nos trouxeram ao patamar alçado em Bauru e 50 cidades da região, como um dos principais jornais regionais do País.

Estamos felizes por tudo isso e, como sempre acreditamos em nossa vocação para a informação, seguimos em frente com muitos planos, investimentos e inovações, principalmente na permanente evolução da nossa tarefa, que já há alguns anos, junto com o objetivo de democratizar o acesso à informação, ficou formalizada em disponibilizar a informação para gerar a boa transformação.

Aliás, para que deveria servir a informação se não para a boa transformação? É certo que ao longo da história, desde o advento da prensa de Gutemberg, com o nascimento da imprensa, a maioria esmagadora dos jornais sempre foi criada com objetivo de gerar transformações através das informações, fossem elas políticas, religiosas, filosóficas e daí por diante.

Felizmente, ao longo da história a importância da imprensa séria, ousada, independente e conseqüente foi crescendo e, principalmente, sendo reconhecida como uma das principais pilastras de sustentação de estados democráticos, que avançaram no respeito ao direito de expressão de opinião e a livre circulação de fatos em forma de noticiário, não sem terem enfrentados períodos negros de censura, de intervenções e tentativas de censura de governos e de outros poderes, inclusive econômico e com a formação, primariamente disfarçadas, de estruturas de controle externo dos nossos meios, sempre pronta e vigorosamente rechaçadas. Felizmente no Brasil de hoje, um País que se posiciona entre as nações mais importantes do mundo, vivendo contrastes com atitudes vanguardistas em alguns setores e ao mesmo tempo com grandes atrasos e dívidas sociais em outros, vivemos um tempo consolidado do respeito à liberdade editorial.

Portanto, o maior desafio para quem trabalha com a informação não é mais a censura, nem tão pouco as limitações tecnológicas, muito menos a democratização do acesso à informação, já que além da imprensa escrita, temos os meios eletrônicos com décadas de existência como a TV, presente em todas as casas, o mais que centenário rádio, com grande mobilidade e presente, além das residências, em milhões de automóveis e, mais recentemente, vivemos o crescimento em progressão geométrica do acesso à internet, com os pcs, not e net books, incluindo aí a portabilidade e a mobilidade dos celulares, iphones e ipads, com todos tendo acesso a e-mails, blogs, redes sociais como o facebook, orkut, twiter, a sms, rss, feeds, qr-code e tantas outras novidades como sites, blogs, jornalismo de contribuição, games, realidade aumentada, 3G, 4G, num sem parar frenético e até angustiante de infinitas possibilidades.

Se o acesso à informação já não é o maior problema dos meios, nem dos receptores das mensagens, que hoje interagem com os meios e, mais ainda, são editores de si próprios, o que desafia os publishers e editores, além das respostas à célebre regrinha do "quem, o quê, como, quando, onde e por quê", com certeza são os "para quê?", o "e eu com isso?" e o "e daí?".

Responder rotineiramente a mais esses três quesitos, do "para que me serve essa informação", e "o que eu tenho a ver com isso", "e daí, o que vai acontecer, se for assim", "como vai interferir na minha vida e da minha família, nos meus negócios e minha profissão, nas relações pessoais, familiares, sociais, profissionais, na minha saúde, no meu universo imediato, no local onde vivo", em qualquer uma das plataformas existentes e até mesmo no meu humor, com credibilidade e criatividade, será cada vez mais o diferencial necessário à sobrevivência do jornalismo profissional. Ou seja, a informação coletiva ou individual terá cada vez mais que ter foco no ser humano, nas questões mais imediatas e relevantes para cidadão, visto como indivíduo e não mais como massa. Aqueles que, fascinados pela tecnologia, cada vez mais igual e acessível para todos, não focarem as pessoas, terão seu trabalho avaliado na forma de commodities. Já aqueles que souberem fazer a diferença, da pauta à edição, com interação e análise permanente de feedback, com certeza irão além, criando através das pessoas as boas transformações coletivas, diminuindo assim, um pouco que seja, as utopias, por ajudar a transformá-las em boas concretizações realistas. Afinal, felizmente, mesmo com toda tecnologia disponível, gente ainda é gente e, graças a isso, o sonho não acabou.

O autor, Renato Zaiden, é diretor do Grupo Cidade de Comunicação e presidente da APJ - Associação Paulista de Jornais