09 de julho de 2026
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Cárie, mal que pode ser erradicado

Sílvio Amadeu Nassar Pardo
| Tempo de leitura: 3 min

Quando falamos em dentes a primeira patologia que ligamos a eles é a cárie. A doença, uma destruição localizada dos tecidos dentários causada pela ação das bactérias que fermentam os carboidratos dos alimentos, é tão antiga quanto o próprio homem, sendo um mal transmissível com pelo menos 550 mil anos de idade.  

E no Brasil o histórico de cárie é bastante negativo. Em um passado não muito distante a falta de cuidados com os dentes, escovação adequada e principalmente falta de tratamento disponível a todos era fator crucial para uma situação endêmica da cárie. O pior é que o principal tratamento era a extração. Não havia uma profilaxia adequada com o objetivo de preservar o dente. Mas como está a situação hoje? O que reserva o futuro no Brasil com relação à cárie?

Para que ocorra a cárie é necessário o respeito a uma cadeia de três fatores por um determinado tempo: microorganismos, dente e açúcares.  Faltando um desses agentes a cárie não acontece. Como esse conhecimento não chegava à população em geral quem tem mais de 30 anos provavelmente possui, em seu histórico bucal, a ocorrência de cáries. Na outra ponta é comum, hoje, que o cirurgião dentista receba em seu consultório crianças e jovens que nunca tiveram uma cárie. Podemos elencar três fatores principais nesse quadro que se apresenta hoje no Brasil: orientação dos dentistas conscientes em relação a técnicas corretas de higiene oral e alimentação, fluoretação da água, maior prevenção por parte dos órgãos de saúde e, claro, criação de um estilo de vida desde o berço, que passa de pais para os filhos. 

Outro importante fator que tem afastado a cárie da boca dos brasileiros é a maior prevenção por parte do governo e iniciativa privada. Campanhas educativas, distribuição de creme dental e escovas nas escolas, publicidade mostrando a importância em manter os dentes saudáveis... cada vez mais esse tipo de informação está ao alcance da população. Sabemos, é verdade, que em muitas localidades o acesso aos procedimentos deixa a desejar, mas no geral o quadro é bastante diferente do que prevalecia há 50 anos.

Por fim a conscientização. Os pais e avós que perderam seus dentes na juventude hoje sabem o quanto a prevenção é importante e procuram passar aos seus filhos. Isso é cada vez mais importante na medida em que a população vive mais e a falta de dentes traz dificuldades físicas e emocionais. O assunto é sério: 69% dos idosos institucionalizados de Araraquara (SP), isto é, que vivem em instituições, eram desdentados totais segundo pesquisa.

Portanto o que podemos prever é que teremos uma população cada vez mais idosa com o passar dos anos. Para que esse público tenha uma qualidade de vida satisfatória - que está diretamente ligada às questões bucais - é preciso que o jovem de hoje se conscientize em quebrar a tríade da cárie, evitando assim um mal que, em princípio, parece inofensivo nos dias atuais, mas que é o causador de dores físicas e psicológicas até hoje.


O autor, Sílvio Amadeu Nassar Pardo, é cirurgião dentista - especialista em periodontia