09 de julho de 2026
Nacional

Jobim elogia Dilma e diz que quer ficar, mas já admite saída


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Brasília - Com o cargo em risco há uma semana, o ministro Nelson Jobim (Defesa) admitiu ontem, pela primeira vez em público, que pode deixar o governo Dilma Rousseff.

Ele afirmou que deseja permanecer na Esplanada, mas que ficará "tudo bem" caso seja substituído.

"A presidente é quem decide essas coisas", disse. "Se puder continuar, tudo bem. Se não puder, tudo bem."

A relação entre Jobim e Dilma se deteriorou no último dia 26, quando ele declarou publicamente, ter votado em José Serra (PSDB) na eleição de 2010.

Ontem, em entrevista ao "Roda Viva" da TV Cultura, o ministro mudou de tom e rasgou elogios à chefe.

"A presidente Dilma é extraordinária. Minha relação com ela é ótima", disse. "Ela tem uma grande visão de Estado, uma visão de futuro."

Jobim afirmou não se sentir desconfortável com a presidente, que estuda substitui-lo, e negou que esteja em busca da própria demissão.

"Eu não tenho nenhum problema, nenhuma dificuldade. Estou no governo porque me dá prazer", disse. "Sou ministro por prazer. Tenho desejo de continuar a fazer o que estou fazendo."

Questionado se planejava sair, foi enfático: "Absolutamente. Não mesmo. Eu tenho um projeto para tocar."

O ministro repetiu ter informado o voto em Serra ao ex-presidente Lula, ainda na campanha. Segundo ele, não houve deslealdade a Dilma, que dividiu chapa com o PMDB e o manteve no posto a pedido do antecessor.

"Alguém pode não acreditar, mas não sou dissimulado. Sempre fui assim", disse. "Aprendi com o doutor Ulysses (Guimarães): em política, até a raiva é combinada."

O discurso não convenceu os entrevistadores, que manifestaram descrença em sua intenção de continuar.

"Fiquei com a sensação de que o senhor não pretende ficar", disse o jornalista Augusto Nunes. "Eu também", emendou Marília Gabriela.

Jobim, então, afirmou: "Quem designa o ministério é o presidente da República. Nós temos que respeitar o processo democrático."

Ele se reuniria com Dilma no dia 11, mas o encontro foi antecipado para amanhã.