08 de julho de 2026
Nacional

Jucá pede desculpas à presidente Dilma


| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu ontem desculpas à presidente Dilma Rousseff pela postura de seu irmão Oscar Jucá Neto, ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que denunciou um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura.

Em reunião reservada com a presidente, o líder governista disse que "desaprova a conduta" de Jucá Neto. "Foi um absurdo o que ele fez, eu desaprovei a sua conduta. Pedi desculpas à presidente e já tinha também conversado com o ministro Wagner Rossi (Agricultura). Ele viajou, eu não sabia que ele daria entrevista. Tenho que discordar da sua postura", afirmou o líder.

Em entrevista à revista "Veja", Neto disse que no Ministério da Agricultura "só tem bandidos" e acusou o ministro de comandar um suposto esquema de corrupção.

O líder disse que as denúncias de seu irmão não prejudicam o PMDB, nem vão levar a presidente Dilma a promover uma "limpeza" no Ministério da Agricultura - a exemplo do que fez nos Ministério Transportes.

"A oposição vai tentar fazer uma onda por motivação política. Mas a presidente entendeu minha posição, disse que o (ministro) Wagner está averiguando as acusações", afirmou.

Jucá disse que seu irmão pediu demissão da Conab depois de se "desentender" com a diretoria do órgão. O líder sustenta que o irmão autorizou o pagamento por orientação da Procuradoria Jurídica da Conab, segundo explicações repassadas ao governista por Jucá Neto.

Segundo o irmão do senador, o ministério retardou o pagamento determinado pela Justiça como tentativa para negociar um aumento artificial de R$ 5 milhões no valor a ser pago ao armazém, de forma que esse valor fosse embolsado por autoridades do ministério.

A Conab também teria vendido um terreno em área valorizada de Brasília por um quarto do valor de mercado a um vizinho do senador Gim Argello (PTB-DF), também com influência política dentro do ministério. Rossi nega as acusações.

Faxina na Agricultura

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), negou ontem que haja um esquema de corrupção em sua pasta e descartou a necessidade de uma "faxina". Segundo ele, houve apenas um "caso isolado de irregularidade" na pasta.

O ministro rechaçou as acusações e disse que o irmão do líder do governo é um "despreparado, que tenta colocar todo mundo no mesmo saco". "Não há faxina ou crise. A única irregularidade detectada foi feita pelo Oscar. Estamos passando todos os pagamentos em revista", disse o ministro.

De acordo com ele, o ex-diretor foi demitido após liberar um pagamento de R$ 8 milhões a um armazém em nome de laranjas.

Wagner Rossi, ligado ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), admitiu que Oscar Neto foi alçado a diretor da Conab por conta do parentesco com Romero Jucá.


Apuração

O ministro, contudo, assumiu uma "parcela de culpa" na nomeação. "Não vou dizer que não tenho parcela de culpa na escolha, mas cumpri minha responsabilidade ao colocá-lo para fora", disse.

Na primeira reunião com a cúpula do governo após os novos relatos de corrupção, a presidente Dilma Rousseff não cobrou explicações a respeito dos casos.

A atitude difere do comportamento da presidente na crise que atingiu o Ministério dos Transportes - onde 22 pessoas perderam cargos desde o início das acusações.