Diariamente, ouvimos notícias sobre iminentes catástrofes que se podem abater sobre países da Europa e, também, nos Estados Unidos. Preocupantes, mas parece que não nos abalam, como se nada tivéssemos com as dívidas que atingem mais de 100% do PIB desses países. A plutocracia de sempre dançou euforicamente no baile das finanças e nos presenteou, como era de se esperar, com a crise que explodiu em 2007-2008. Até então antiestatista, apressou-se em pedir socorro ao Estado com a desculpa de salvar os empregos e evitar a quebradeira geral. Receitaram o de sempre: concentrar os lucros e socializar os prejuízos, com diminuição dos benefícios de aposentados/as, encolhimentos das políticas públicas de saúde e educação, diminuição de salários, aumento da idade mínima para aposentadoria e outras maldades mais.
O resultado, já sabemos, aí está bem à vista: desemprego, abandono das políticas sociais, aumento dos preços de alimentos, transportes, energia e aluguel. Simultaneamente, com o socorro à plutocracia que provocou a crise, explodiu a dívida pública. E, mais uma vez, pede-se que trabalhadores/as, desempregados e aposentados paguem a conta do baile da finança. Ou seja, quem nunca trabalhou (a não ser para especular) exige que quem trabalha pague a conta da folia financeira. Na França, executivos ficaram retidos em seus escritórios, mas, depois, continuaram com seus nababescos bônus.
No Brasil, o socorro do Estado serviu para que a plutocracia, financeira e empresarial, comprasse títulos da dívida pública para lucrar ainda mais com as taxas selic, as mais altas do mundo. Tudo à custa da população em geral: 43% do orçamento nacional é reservado para os juros da dívida pública, à custa do encolhimento dos salários e das políticas sociais, além do desemprego que apavora e impede que haja reação. Além disso, alardeia-se sobre o perigo da inflação, para que aumente ainda mais a taxa selic.
Uma exceção foi a Islândia que não caiu no canto da sereia e absteve-se de socorrer a plutocracia. Resultado, não está ameaçada pela dívida pública que, na maior parte dos países que a ela cederam, excede o PIB. É por isso que caiu um pesado silêncio sobre a Islândia, a não ser para tratar dos aeroportos paralisados pela erupção de um de seus vulcões. Ainda há quem pense que nada temos com isso, que estamos livres. A crise não é só financeira, é estrutural: impossível controlar a folia consumista, concentradora e predadora. Dias piores virão.
A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião