José Félix de Morais, JFM como ele mesmo se intitulava, homem humilde e simples porém hospitaleiro e que acolhia com um café e boa prosa a quem quer que chegasse à sua casa. Pouca cultura porém muita sabedoria. Cultivava apenas dois dentes na arcada superior nos quais uma passada de língua entre eles para lá e para cá e uma chupadinha estridente era o tempo de que ele precisava para arquitetar uma de suas mentiras.
Ele conta que, certo dia, estava na praça em São Miguel do Araguaia e, bom de papo, puxa uma prosa com um desconhecido. Dizia ele:
- Pois é, seu moço, eu sou pescador e já fisguei sete pirarucus, já matei paca, tatu, cinco jacarés, uma anta, três onças pintadas e outros bichos que nem dou mais conta.
Quando desconhecido perguntou:
- Sabe com quem o senhor está falando?
- Não, porquê?
E o desconhecido:
- Eu sou fiscal do Ibama.
- E o senhor sabe com quem está falando? Eu sou José Félix de Morais. O maior mentiroso do Araguaia.
Fonte: "Causos" do José Félix do Araguaia por Reynaldo Duarte.