08 de julho de 2026
Geral

Frio é o mais intenso em 11 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

O inverno deste ano bateu mais um recorde em Bauru. Na madrugada de ontem, os termômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) marcaram 3,2 graus, a temperatura mais baixa dos últimos 11 anos. E a previsão é de um novo recorde para a madrugada de hoje.

Até então, a temperatura mais fria no período, de 4,2 graus, havia sido registrada há pouco mais de um mês, em 28 de junho. Mas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o frio ? que provocou geada em algumas regiões da cidade e prejudicou plantações ? pode ter sido ainda mais intenso. De acordo com os medidores do órgão, a mínima teria chegado a 2,1 graus em Bauru por volta das 5h45.

Os dados do IPMet apontam que somente em julho de 2000 houve registro menor, quando os termômetros da cidade marcaram 1,7 grau em Bauru.

A meteorologista do IPMet Zildene Pedrosa Emídio explica que a temperatura mínima recorde acompanhada de geada e neblina foi provocada por uma massa de ar polar intensa que atravessa a região e atua em todo o Centro-Sul do País. "Essa massa veio na retaguarda da frente fria que provocou chuva nos últimos dias. Na medida em que esta massa vai avançando, vai provocando quedas sucessivas nas temperaturas. Mas a tendência é de que este sistema se desloque para o Oceano Atlântico e, consequentemente, as temperaturas voltarão a subir", comenta.

Conforme explica Zildene Pedrosa Emídio, a formação de geada foi favorecida não apenas pelas baixas temperaturas, mas também pela ausência de ventos e nuvens durante a madrugada. Com a alta umidade relativa do ar, o vapor se condensa em contato com as plantas e a água acumulada principalmente em regiões de menor altitude, acaba se transformando em gelo.

"Se houvesse nuvens, elas funcionariam como uma camada protetora para manter a temperatura do solo estável. Já os ventos, com o atrito, retiraria esta água acumulada das plantações", detalha.


Sensação


E foi justamente presença quase nula de ventos durante a madrugada que evitou que os bauruenses sentissem um frio ainda maior. O Inmet calcula que, a cada 7 quilômetros por hora de velocidade do vento, a sensação térmica comparada à temperatura real diminui em um grau. "Ontem, no máximo, a sensação térmica deve ter caído em dois graus", analisa.

Na avaliação da meteorologista, somente um estudo aprofundado poderia explicar a ocorrência de dois recordes de temperaturas mínimas e duas geadas em um curto espaço de tempo. Para ela, entretanto, é improvável que um fenômeno anormal esteja acontecendo.


Mais frio hoje


"O inverno de Bauru é caracterizado mais pela ausência de chuvas do que propriamente por baixas temperaturas. Mas a entrada de massas de ar polar são muito comuns nesta época do ano. Não há nada de atípico nisso. Ainda que hoje (ontem) tenha havido um recorde, em anos passados tivemos temperaturas de 4 e 5 graus", afirma.

Para hoje, a previsão é de que o tempo fique ainda mais frio. Segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec/Inpe), a mínima deve chegar à casa de 1 grau durante a madrugada.

No sábado, entretanto, o tempo gelado começa a perder força, com mínimas de 9 graus e máxima de 31 graus. Até terça-feira, os termômetros devem variar entre 14 e 32 graus, com leve queda de temperatura novamente na quarta-feira, quando deve voltar a chover, segundo prevê a meteorologia.

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Geada castiga as pastagens


Mais uma vez, a geada registrada em Bauru provocou danos às pastagens e à horticultura. Por sorte, embora as temperaturas mínimas tenham sido menores do que o recorde de 28 de junho, desta vez os prejuízos aos agricultores foram menores.

Há pouco mais de um mês, a geada que se formou em Bauru atingiu 80% das pastagens e até 70% das produções hortifrutigranjeiras. Como o pasto ainda não havia se recuperado, para os pecuaristas a perda foi apenas dos 20% restantes.

"Agora, todo o pasto está queimado e só vai se recuperar com a chegada da época de chuvas. É claro que esta perda não era bem-vinda, mas não vai mudar muito o panorama que já estava traçado para o mercado", pontua o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde. De acordo com ele, no momento, a grande preocupação dos criadores é com a ocorrência de incêndios que possam atingir o gado e a própria infraestrutura das fazendas.

As culturas permanentes mais sensíveis ao frio, como plantações de laranja, café, cana-de-açúcar e eucalipto, provavelmente também foram afetadas. O cálculo do prejuízo, entretanto, só será conhecido dentro de cinco dias, conforme adianta Lima Verde.

Já para os hortifrutigranjeiros - que se preparavam para colher folhosos e legumes plantados há 40 dias, quando geou em Bauru -, os danos causados foram instantâneos. Como resultado, o preço principalmente de itens como alface, rúcula, almeirão e chicória em feiras e supermercados deverá aumentar até a próxima semana.