Santiago - O Chile voltou a viver ontem um dia de violentos confrontos entre estudantes e a polícia na esteira dos protestos por reforma na educação que agitam o país desde maio.
Para impedir a marcha de estudantes secundários, o governo do conservador Sebastián Piñera usou um decreto assinado pelo ex-ditador Augusto Pinochet (1915-2006) para barrar a manifestação.
A medida reconhece o direito de realizar protestos, mas desde que eles sejam previamente aprovados pelo próprio governo, que negou o direito sob o argumento de manter a "ordem pública".
Estudantes ignoraram a proibição e saíram às ruas, mas acabaram reprimidos.
Os manifestantes montaram barricadas em pelo menos dez pontos de Santiago e atiraram paus, pedras e coquetéis molotov, segundo imagens da TV local. A polícia agiu com jatos de água e gás lacrimogêneo. Ao menos 527 pessoas foram detidas, e 14 policiais ficaram feridos.
Ontem à noite, ainda está prevista uma nova manifestação no centro de Santiago, desta vez de estudantes universitários. O governo, que defendeu a ação da polícia, pediu que eles não fossem às ruas.
Os novos distúrbios devem esfriar a tentativa de acordo entre estudantes e governo para o fim dos protestos.
O Ministério da Educação do Chile apresentou uma proposta, considerada insuficiente pelo movimento estudantil. Um dos principais reclamos é que o ensino público seja gratuito.
Piñera havia dito nesta semana que não iria mais permitir manifestações como as conduzidas pelos estudantes. O porta-voz do governo, Andrés Chadwick, afirmou também que os "estudantes não são donos do país".
A primavera chilena eclodiu em maio, com protestos nas ruas e a ocupação de várias universidades, e provocou grave crise no governo.
No último mês, o presidente reformou quase metade de seu gabinete para tentar melhorar a imagem do governo.