10 de julho de 2026
Política

Prefeitura vai descartar 85t de sucata

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

O pátio do almoxarifado central da Prefeitura de Bauru acumula, atualmente, 85 mil quilos de sucata em metais, descartadas pela administração pública de Bauru nos últimos dois anos. Ferro, alumínio, chapas, estruturas de móveis e até carcaças de geladeiras, fogões e máquinas de escrever estão entre os materiais que serão leiloados no próximo dia 10 de agosto. O último leilão de sucata descartada pelas secretarias municipais foi realizado em 2009. Desde então, tudo o que não serviu mais para a administração foi depositado no local.

Diretor da Divisão de Patrimônio Mobiliário, Rodrigo de Paula Carvalho afirma que os descartes são provenientes de todas as secretarias da administração local. No entanto, grande parte dos materiais que serão leiloados deixou de servir para a Secretaria municipal de Educação. Isso porque, além de possuir a maior estrutura da prefeitura, com cerca de 80 unidades escolares, 20 delas já foram reformadas e ampliadas. Dessa forma, janelas, portas, grades e outras estruturas de metal foram substituídas em quantidade além do normal.

A expectativa é de que aproximadamente R$ 27 mil entrem nos cofres do municípios. O custo estimado do quilo da sucata mista é de R$ 0,32. Sobre a possibilidade de que o material pudesse valer mais caso fosse leiloado em um menor espaço de tempo, Roberto Domingos, secretário do Departamento de Materiais da administração, explica que a sucata é avaliada a partir da cotação do ferro no mercado. "Em determinada época, pode custar R$ 0,10 e, em outra, R$ 0,42. No entanto, desde o início do ano, tem se mantido estável", pontuou.

Domingos conta que o processo para leilão de materiais inservíveis foi iniciado no começo deste ano. "A cotação com o mercado que a gente precisa fazer antes disso levou tempo", conta. Segundo informações apuradas pela reportagem, a prefeitura tem dificuldade em atrair empresas para essa etapa do processo, embora, normalmente, seja grande o interesse na participação do leilão.

No entanto, Rodrigo Carvalho adianta que a administração estuda a possibilidade de diminuir o tempo em que as sucatas do poder público municipal ficam acumuladas. Isso porque, com até 8 toneladas de material, a prefeitura não é obrigada a realizar leilão e pode vender o material descartado a partir de convite a empresas.

Também em fase de estudo está a construção de uma cobertura para a área em que os equipamentos descartados ficam amontoados. Atualmente eles estão expostos ao tempo e, embora sejam pouco deteriorados, existe a preocupação com a proliferação de mosquitos transmissores da dengue a partir do acúmulo de água nos objetos. "Nós tomamos cuidado com isso. O local é nebulizado, limpo e uma máquina empurra a sucata, mas não posso garantir que não haja criadouros", admitiu.

Atualmente, a prefeitura de Bauru dispõe de 72 mil itens com placas de identificação de patrimônio mobiliário.

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Máquinas de datilografar geram surpresa


Em plena era digital, o descarte de máquinas de datilografar pela prefeitura no período dos últimos dois anos chega a causar espanto e demonstra quanto tempo a administração guarda objetos antigos e obsoletos. Rodrigo Carvalho, diretor de Patrimônio Mobiliário, explica que existe um trâmite a ser cumprido antes do descarte de objetos que apresentam problemas ou deixam de ser utilizados.

Quando apresentam problemas, os objetos passam por uma avaliação de valor. Caso o conserto custe mais do que 30% desse valor, a prefeitura não pode consertá-los e eles precisam ser descartados do patrimônio público municipal.

No entanto, a administração pode ainda transferir esses objetos a entidades conveniadas. É o caso de um projeto de lei que deu entrada na Câmara Municipal, no mês passado, e que pede autorização para que 10 conjuntos de cadeiras e carteiras escolares sejam doados à Creche Nossa Senhora do Desterro. O material é avaliado em R$ 57,02 e está fadado à destruição, segundo a matéria.

Nos casos em que determinadas pastas substituem equipamentos e os antigos ainda têm condições de serem utilizados, eles são oferecidos às demais secretarias. "Vamos lançar um site para o sistema da prefeitura em que todas as pastas vão ter acesso ao que está disponível. Elas poderão adquirir esse patrimônio caso seja interessante.

No início de julho, a administração direta doou um microcomputador à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). Apesar de ser aprovada pela Câmara, a transferência gerou crítica dos vereadores. Alguns chegaram a chamar o equipamento de sucata. A proposta quase foi barrada ao receber sete votos contrários no Legislativo, incluindo o do líder governista, Renato Purini (PMDB). Naquela sessão, o vereador já tinha demonstrado sua insatisfação com o comando da autarquia municipal.

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Informações do leilão


Para ser admitido ao leilão, na condição de licitante, os interessados deverão comparecer no dia 10 de agosto, às 9h, no auditório da Prefeitura Municipal, que fica na Praça das Cerejeiras, 1-59, 3º andar, munidos dos documentos constantes do edital publicado no Diário Oficial de Bauru de 23 de julho.

O edital pode ser retirado na Divisão de Licitações, da Secretaria Municipal da Administração, até o dia 09 de agosto ou pelo site www.bauru.sp.gov.br. A Secretaria da Administração está localizada na Av. Dr. Nuno de Assis, 14-60, Jardim Santana, telefones 3235-1377 ou 3235-1446.

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3.281 itens de informática descartados


Após o leilão da sucata mista, mas ainda sem data, a administração municipal deve licitar sua sucata de informática. Dados do mês de junho, apontam 3.281 do setor que já foram descartados e estão acumulados no Almoxarifado Municipal. São 397 monitores, 301 CPUs, 983 teclados, 129 impressoras, 127 estabilizadores e 1.281 toners. Diferentemente dos objetos de metal, que serão leiloados por quilo, os equipamentos de informática serão vendidos por unidade, segundo Rodrigo Carvalho.

A grande dúvida é se, pela rapidez com que produtos informáticos se tornam obsoletos em razão da velocidade dos avanços tecnológicos, não seria mais vantajoso para o município descartar esses tipo de equipamento quando ainda pudesse ser utilizado para que disponha de valor agregado. Os responsáveis pelos setor argumentam que essa possibilidade está sendo estudada. Os equipamentos de informática que já foram descartados ainda não foram avaliados pela município.