08 de julho de 2026
Geral

Festival terá 12 horas de rock solidário

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 7 min

Falar de preconceito contra estereótipos que fogem do suposto padrão da sociedade é bater numa mesma tecla, chover no molhado ou, no caso, tocar uma só nota. O som considerado agressivo do heavy metal e o visual composto por cabelos compridos e tatuagens ainda assusta muita gente. Mas a mesma sociedade que nem sempre aceita diferentes opiniões, por fim, se rende à solidariedade promovida por ?devotos? deste estilo musical, que já mais foi marginalizado. No seu próprio ritmo, eles encontraram no som uma alternativa de caridade e auxílio a entidades assistenciais de Bauru. No próximo dia 27 acontece na Granja Cecília (antiga chácara da Assenag), a 4.ª edição do Solidary Rock. O evento, que começa ao meio-dia e vai até à meia-noite, reunirá seis bandas de rock e terá toda a renda de bilheteria e consumo destinadas ao Lar dos Idosos do Paiva.


Como tudo começou


A iniciativa que teve sua primeira edição em 2008 partiu da ideia de quatro amigos que sentiram a necessidade de realizar um festival de rock 100% beneficente. "Nossa ideia é que as bandas toquem de graça, sem cobrar cachê, e toda a renda do evento seja destinada a uma entidade assistencial previamente escolhida", explica Rogério Rocco Magalhães, 38 anos, Promotor de Justiça em Garça (aproximadamente 75 quilômetros de Bauru), um dos idealizadores do projeto e presidente da comissão organizadora do evento.

Além dele, também fazem parte do grupo o administrador de empresas Fábio Alexandre Jacob, o "Binho", 37 anos, o advogado Rafael de Almeida Ribeiro, 36 anos, e o empresário Luiz Carlos Gonçalves Junior, 32 anos. No evento organizado pelo grupo, a entidade beneficiada fica responsável pelos serviços de portaria, caixa, bar, organização e limpeza. Foi assim nos anos anteriores, quando o festival contribuiu com a Sociedade Apoio Pessoas com Aids de Bauru (SAPAB) em 2008, o Projeto Sorri-Bauru em 2009 e, por último, no ano passado, com a Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial (Apiece).

Os demais custos da festa, como aluguel da chácara, montagem de palco, aparelhagem de som, iluminação e segurança, ficam por conta da própria organização que corre contra o tempo para arrecadar contribuições. "Nossa intenção é que todas as partes sejam beneficiadas. Aqueles que curtem o som terão a oportunidade de acompanhar 12 horas de rock com as bandas que, mesmo sem receber cachê, terão toda a divulgação. Já as entidades poderão ter uma boa renda com bilheteria e consumo no evento. Mas ainda buscamos empresas para completar os gastos de estruturação do festival, que deve custar cerca de R$ 10 mil. Por enquanto, temos apenas 20% desse montante e precisamos do apoio de empresários que queiram expor sua marca ao mesmo tempo que contribuem com uma causa nobre", completa Magalhães.

O empresário Luiz Carlos Junior credita o sucesso do evento à legião de fãs do rock and roll e à seriedade com que o evento é organizado. "Bauru não é só sertanejo e pagode. Tem muita gente que curte rock. Em cada nova edição notamos que o preconceito por parte das empresas que ainda têm certo receio em investir no projeto, tem diminuído. Mostramos que o Solidary Rock tem uma organização séria e que na verdade é uma grande porta de ajuda a entidades assistenciais de Bauru", conta.

A expectativa dos organizadores é fazer do evento, tradicionalmente organizado em agosto, parte integrante do calendário de aniversário do município. "Estamos nos consolidando como um festival de tradição na cidade. A cada ano melhoramos e nossa expectativa é estar no calendário de aniversário da cidade nas próximas edições", comenta Rafael Ribeiro.

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Do clássico ao contemporâneo


Serão 12 horas de rock and roll. E a solidariedade começa desde o momento em que as seis bandas locais subirão ao palco do festival. Sem receber cachê, o único incentivo, além do apelo solidário, é a divulgação de seus trabalhos.

"Não repetimos nenhuma banda até hoje. Temos 18 cadastradas (em 3 anos) e esse ano serão seis novas. Pude acompanhar os ensaios para fazer uma triagem. Quem for pode ter certeza que vai prestigiar seis bandas de ótima qualidade com estilos diferentes que vão do rock raiz, dos anos 70, até o rock moderno", garante Luiz Carlos Junior.

A programação contará com o quarteto "Estação Primeira de Bluseira", com o resgate dos anos 90 no som da "Seattle Dead Idols" e o rock contemporâneo da recém-formada "Aleluia Bitch". Já a "Rock 13" chega com a proposta do lado B do rock clássico e traz ao palco o estilo underground na releitura de canções de bandas consagradas como "Led Zeppelin" e "Black Sabbath".

Fechando o circuito musical, serão duas bandas cover. Para quem gosta de chacoalhar a cabeça o festival traz também a formação bauruense "Bömber", relembrando o som da banda britânica "Motörhead". Caberá à banda "In Utero ? Nirvana Tribute" reviver os sucessos da formação norte-americana comandada pelo vocalista Kurt Cobain.

O organizador afirma ainda que a 4.ª edição do Solidary Rock deve contar com uma melhor estrutura de palco e acústica. "Teremos uma estrutura melhor, o que é fundamental para as bandas, mas também para o público que fica próximo ao palco", diz Junior.

Segundo a organização do evento, os ingressos serão vendidos no valor de R$ 30 para os homens e R$ 25 para as mulheres. "Na verdade estamos lançando os pré-convites. Quem quiser poderá adquirir esses cupons nos pontos a serem divulgados a partir da próxima semana, mas só serão pagos na hora do evento, na bilheteria de responsabilidade da instituição a ser beneficiada. Quem não tiver esse pré-convite não pagará mais os valores promocionais. Na hora, o homem paga R$ 40 e a mulher R$ 30", explica.

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Ajuda reconhecida


A iniciativa dos quatro fanáticos pelo rock que deu origem ao festival é reconhecida pelas entidades que foram beneficiadas durante esses três anos. Na primeira edição, toda a renda do evento, mais de R$ 2 mil, foi destinada à Sociedade Apoio Pessoas com Aids de Bauru (SAPAB), que mobilizou cerca de 20 voluntários para trabalhar durante as 12 horas de festa. "Foi muito importante para a entidade participar deste evento pois, à época, nosso convênio cobria apenas 40% dos gastos (hoje são 70%) e a arrecadação supriu alguns déficits com salários e despesas de manutenção", conta a coordenadora administrativa da entidade, Márcia Pereira da Silva.

Em 2009, com um público de 280 pagantes, o Solidary Rock contribuiu com o Projeto Sorri-Bauru, que atende pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva, visual e social, em especial, aquelas com hanseníase. Na ocasião, o montante arrecadado com bilheteria e consumo foi superior a R$ 5 mil. "Foi excelente por dois motivos. Primeiro pela parceria que fizemos com os organizadores do Solidary Rock. Por meio de eventos como este podemos divulgar a instituição e os serviços que ela presta a comunidade. Outro motivo é a doação financeira que recebemos, pois a Sorri-Bauru vive de doações", afirma a diretora Maria Elisabete Nardi.

No ano passado, a arrecadação foi destinada à Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial (Apiece). Com os mais de R$ 7 mil angariados, a entidade conseguiu reformar e comprar novos equipamentos para toda a cozinha. "Planejamos antes qual seria o destino da verba arrecadada, conseguimos reunir nossos voluntários (22 ao todo) e fizemos nosso trabalho. E posso dizer que este é um evento de recursos instantâneos. Entramos com caixa zerado e em 12 horas saímos com uma quantia muito expressiva. O rock solidário fez nosso sonho virar realidade num passe de mágica", garante Catarina Carvalho, diretora da Apiece.

Neste ano, a entidade escolhida pela organização do Solidary Rock foi o Lar dos Idosos do Paiva, e a expectativa é que a evolução na arrecadação sirva para melhorias nas instalações e manutenção do abrigo. "O dinheiro nem passa pela nossa mão, vai direto para as entidades que depois nos apresentam a prestação de contas, que pode ser conferida no site do festival (www.solidaryrock.com.br)", explica Roberto Magalhães, que diz ser a meta 500 pagantes e uma arrecadação de R$ 10 mil. "Assim como fazemos com as bandas, dando oportunidade de se apresentarem, nossa intenção é não repetir as entidades. Estamos no quarto ano e teremos a quarta instituição idônea que será beneficiada", conclui.