09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pode um cristão ser homofóbico?


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A palavra cristão define quem pauta ou procura pautar sua vida pelos ensinamentos de Jesus relatado nos evangelhos por seus discípulos.

Não temos referência expressa nos evangelhos sobre relação de Jesus com homossexuais, no entanto devemos considerar que Ele era Judeu e chamado de Rabi, ou seja, mestre, na fé judaica, e disse claramente que não veio para alterar a lei (judaica), mas sim para cumpri-la. Esta lei trata como abominação a prática do homossexualismo. Pode-se, a partir disto, entender que ele também abominava a prática do homossexualismo.

Alem deste fato inconteste, devemos avaliar como Jesus se comporta em temas semelhantes como na passagem da mulher adúltera, de João 8 de 3 a 11, trazida pelos religiosos da época a Jesus e que pela lei deveria ser apedrejada e que sem contradizer a lei ele ordena que aquele que estivesse sem pecado fosse o primeiro a apedrejá-la e com isto nenhum deles, por serem também pecadores, inicia o apedrejamento, fazendo com que ela ficasse livre. Depois disso Jesus diz à mulher que nem ele a condenaria e que ela fosse e não pecasse mais.

Também é narrado em João 4 o encontro com a mulher Samaritana (versos 6 a 30), que relata o encontro de Jesus com a mulher promíscua samaritana na fonte de Jacó. Jesus tinha em relação a esta mulher quase nada em comum, ele homem e Santo, ela mulher e promíscua. Ele Judeu, ela Samaritana (praticamente uma inimiga), e apesar desta diversidade ele conversa com ela e demonstra amor e a leva ao arrependimento sem em nenhum momento culpá-la ou acusá-la.

Por estes exemplos podemos entender que Jesus não combatia a pessoa, mas sim acolhia e separava esta pessoa de suas atitudes e em nenhum momento usava a crítica ou a sátira ou o desrespeito ou ainda a exposição como método para ensino ou como castigo.

Se estivesse vivendo entre nós, hoje, Jesus acolheria homossexuais ao invés de combatê-los e trataria como tratou e transformou a mulher samaritana.

Por isso não posso entender que um Cristão seja homofóbico, não posso entender que um cristão não aceite que um homossexual tenha direitos iguais aos meus ou que seja agredido, seja física, seja moralmente por sua condição de homossexual.

No entanto, também entendo que não é possível que a liberdade religiosa seja limitada e que pastores e padres não possam ensinar que o homossexualismo é pecado e que conduz o homem a morte espiritual.

Os limites disso tudo são fronteiras tênues que, para melhor entendimento e isenção, proponho fazer um paralelo com a obesidade ou os fumantes e os médicos. Com certeza não poderíamos, nem deveríamos, desrespeitar e ou discriminar de qualquer forma uma pessoa por ser obesa ou fumante. No entanto, não podermos também impedir os profissionais de saúde de falar sobre os malefícios da obesidade e do cigarro para a saúde. Alem disso, devemos regulamentar os locais e as formas de fumar e se alimentar para evitar que este malefício se estenda a outras pessoas.

Alem disso, a Constituição brasileira já garante a igualdade entre todos os brasileiros in-dependentemente de raça, cor e sexo, sendo que o Supremo Tribunal, em decisão recente, já garantiu esta igualdade inclusive aos casais homossexuais.

A partir daí a PL 122, hoje em discussão no Congresso, além de desnecessária, se aprovada constituirá numa discriminação ao contrário e um atentado ao direito de credo e de expressão.

Márcio M. Carvalho