Washington - A Comissão de Assuntos Bancários do Senado norte-americano começou a investigar a decisão tomada na semana passada pela agência Standard & Poor?s de rebaixar a nota de crédito dos EUA, disse um assessor parlamentar ontem. Esse assessor disse, sob anonimato, que a comissão está colhendo informações sobre as motivações da S&P, mas que ainda não há decisão tomada sobre a convocação de testemunhas para depor. Segundo essa fonte, uma investigação oficial não foi iniciada, mas todas as opções estão sendo cogitadas.
Na sexta-feira à noite, a S&P disse que os EUA, a maior economia do mundo, não mereciam mais a nota de crédito AAA, pela primeira vez desde 1917. O país foi rebaixado a AA+, refletindo temores com a dívida norte-americana, que subiu acima dos US$ 14,3 trilhões.
O mercado estima que os EUA precisariam cortar US$ 4 trilhões nos seus gastos em longo prazo, mas o governo e o Congresso, após uma árdua batalha, recentemente aprovaram um pacote que prevê uma redução de apenas US$ 2 trilhões no déficit público nos próximos dez anos.
Em nota, o presidente da Comissão de Assuntos Bancários do Senado, o democrata Tim Johnson, disse que a S&P tomou uma "decisão irresponsável", que deve resultar em um aumento dos juros pagos por consumidores e por governos estaduais e locais nos EUA.
Sempre seremos AAA
O presidente dos EUA, Barack Obama, criticou ontem a decisão da agência de classificação de risco Standard and Poor?s (S&P) . "Não importa o que uma agência pode dizer, nós sempre fomos e sempre seremos uma nação AAA. Apesar de todas as crises que passamos, temos as melhoras universidades, as melhores empresas, e os mais inventivos empreendedores", disse Obama.
O presidente disse ainda que, apesar da redução da nota americana, os mercados ainda acreditam no crédito americano e que os EUA continuam um país seguro para os investidores. Obama aproveitou ainda para criticar o Congresso por arrastar as decisões cruciais para economia americana por debates políticos.
Ele reconheceu que, para os demais países, o debate prolongado do pacote fiscal aprovado na semana passada "poderia fazer grande dano a nossa economia e ao mundo".
Na sexta-feira, quando rebaixou a nota americana, a S&P disse que a disputa entre os partidos - Democrata e Republicano - sobre a política fiscal americana a deixou pessimista sobre a capacidade dos EUA conter o deficit. A dívida total americana, de US$ 14,3 trilhões, equivale a quase uma vez o PIB do país.