09 de julho de 2026
Articulistas

Fome de lucro x fome

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 1 min

Quem faz compras sabe que cada vez pode adquirir menos alimentos: os preços disparam embora as safras cresçam.

A respeito da produção de 2007, foram sonegadas importantes informações, como, por exemplo, 75% do aumento do preço dos alimentos relacionava-se com o direcionamento dos grãos para produção de agrocombustíveis. As populações indígenas foram as mais afetadas. 40% da produção do milho foi transformada em etanol pressionando os preços das tortillas, base de sua alimentação. Tem-se também priorizado a alimentação de gado e aves para exportação aos países já saciados.

Há quem culpe as secas e as inundações, mas, se por um lado provocaram sérias quebras nas safras, nas regiões não assoladas houve superprodução. Fala-se também da explosão do consumo chinês, porém, lá, a produção cresceu tanto quanto a demanda.

Há alimentos para saciar os mais de 6 bilhões de pessoas do planeta. O que falta é renda para comprar adquirir e acesso logístico. Ademais, o desperdício da mesa de uns poucos faz faltar na mesa de muitos.

As campanhas contra a fome que buscam a solidariedade da população para doar e distribuir alimentos para a multidão de famintos são urgentes e necessárias, mas é preciso atacar o mal pela raiz.

4 grandes "distribuidoras" concentram e especulam sobre 80% dos cereais de todo mundo: Cargill, Bunge, ADN, Louis Dreyfus.

É preciso denunciar esses famintos de lucro que causam a fome de comida de milhões de nossos irmãos e irmãs da África. As fotos da fome que atualmente assola a Somália bradam aos céus.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião