Mogadício - Com o avanço da crise de fome na Somália, o Quênia está entre o receio e a solidariedade. O motivo é o fluxo de refugiados do país vizinho, que não para de aumentar. Até o começo de agosto, a ONU registrava a entrada de 1.500 refugiados por dia, no campo de Dadaab, na fronteira norte do país. Outros milhares seguem para a Etiópia, fugindo da fome e da seca. "Há mais de duas décadas o Quênia recebe somalis. A maioria se estabelece e fica no país como ilegal, porque a situação na Somália continua ruim. Eles vêm para ficar", diz Jane Some, analista da ONU em Nairóbi. Cerca de 116 mil refugiados somalis chegaram a Dadaab este ano, 76 mil apenas nos últimos dois meses. O Quênia recebe, mas não integra ou dá cidadania aos somalis.