08 de julho de 2026
Geral

Homem é torturado e mantido preso

Mariana Cerigatto e Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

A Polícia Civil investiga um ato de extrema crueldade ocorrido em Bauru. Além de ser mantido em cárcere privado por três dias sem poder comer ou beber, um homem, de 55 anos, afirma ter sido vítima de vários atos de tortura. Ele foi encontrado com sinais de espancamento por todo o corpo, como hematomas, queimaduras e até as pontas dos dedos cortadas. Os suspeitos do crime são dois ex-enteados da vítima, que foram denunciados pela própria mãe.

Maercio da Silva teria sido mantido no quarto de uma residência localizada na quadra 2 da rua José Bombini, na Vila São Paulo, durante todo o último final de semana. Ele só foi libertado na segunda-feira, onde foi atendido no Pronto-Socorro Central (PSC).

Apesar de todos esses ferimentos, o hospital não acionou a polícia. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, em atendimento, Silva alegou que uma pilha de tijolos havia caído sobre ele e, por isso, não houve qualquer comunicação de um suposto crime.

Desse modo, o caso só foi descoberto ontem, quando Simone Regina Tiroel Rodrigues, ex-esposa da vítima e mãe dos supostos agressores, acionou a Polícia Militar (PM). Depois de diligências, um dos suspeitos foi preso: Evandro Rodrigues Ferreira Júnior, 18 anos recém-completos e que estava foragido da Fundação Casa.

"A PM foi acionada, a princípio, para averiguar a denúncia de um procurado pela Justiça. Chegando em sua casa, na Vila São Paulo, encontramos Evandro Júnior dormindo. A mãe, junto com o filho, também foi encaminhada à delegacia. Lá, ela acabou relatando que este mesmo rapaz teria praticado maus-tratos contra o ex-marido há poucos dias", explicou o capitão da 4.ª Companhia da PM, Jorge Luís Dias.

A ex-mulher da vítima, Simone Rodriges, relata que as agressões começaram na sexta-feira, quando Silva teria ido à casa dela, na Vila São Paulo, para levar dinheiro. "Nesse momento, meus dois filhos, que têm problemas com drogas, passaram a agredi-lo e a me ameaçar de morte utilizando uma faca", contou. A mãe teria também sido agredida e apresentou uma lesão na perna.

Segundo o delegado plantonista Paulo Calil, a versão da mulher foi aceita. "Foi ela quem acionou a polícia e constatamos que o Evandro Silva era procurado pela Fundação Casa. Instauramos um inquérito para apurar conduta dele neste caso de tortura e pedimos sua prisão temporária", informou.

O outro filho da mulher, Henrique Rodrigues Ferreira Júnior, 18 anos, não havia diso localizado até o fechamento desta edição. Depois dos depoimentos, a Polícia Civil também pediu o mandado de prisão temporária para ele. Desse modo, ele é considerado foragido.


Por dinheiro


De acordo com o delegado Paulo Calil, a motivação do crime foi financeira. Os irmãos queriam que Silva desse o dinheiro de uma propriedade que ele e a mãe dos suspeitos teriam vendido. A cobrança, inclusive, já havia culminado em uma tentativa de homicídio no mês passado.

Na sexta-feira, quando a vítima foi até à casa da ex-mulher levar parte do dinheiro, ele teria sido levado a um quarto dos fundos do imóvel pelos dois irmãos e mantido sob ameaças e agressões. "Eles queriam mais dinheiro, mas eu não tinha", disse Maercio da Silva, visivelmente bastante debilitado.

Questionada sobre o motivo de não ter denunciado antes, a ex-mulher alegou que, durante os dias em que o homem foi mantido em cárcere privado, ela também estava sob ameaças de morte. Porém, já no início desta semana, teria conseguido a ajuda de um amigo e retirado a vítima do local.

O caso foi registrado no Plantão da Polícia Civil como cárcere privado e tortura. Apesar das acusações, Evandro Júnior nega que tenha torturado e mantido sob cárcere privado o ex-marido da mãe dele.

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Beco sem saída


Com dificuldades para falar, já que foi agredido com pancadas na boca e nos dentes, Maercio da Silva mostrou os ferimentos ontem à reportagem do JC e confirmou a versão da ex-mulher. Ele contou que os dois rapazes o agrediram usando facas e outros objetos.

A vítima disse que, além da violência, ficou três dias sem comer e sem beber. Ontem, a cena era bastante triste. Silva, que vive sozinho em uma casa bastante humilde na quadra 2 da rua Guia Lopes, no Vista Alegre, não tinha direito o que comer e mal conseguia falar. Ainda ontem, a polícia procurava seus familiares.

A mãe dos suspeitos se diz em um beco sem saída. "Eles (os irmãos suspeitos do crime) são viciados em drogas, roubam os móveis de casa. Por causa disso, eu não tenho nem o que comer. Eles viraram monstros e perdi o afeto de mãe que tinha", lamentou.

Ela contou que os dois filhos chegaram a viver com o ex-marido quando crianças. "Ele (ex-esposo) sempre foi uma pessoa muito boa, me acolheu, ajudou a mim e a meus filhos. Infelizmente, esses meus dois filhos se envolveram com esse mundo das drogas", contou a mulher, aos prantos.

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Um dos suspeitos já tinha tentado matar a vítima


Segundo o delegado plantonista da Polícia Civil Paulo Calil, exatamente pelo mesmo motivo ? a cobrança do dinheiro de uma propriedade supostamente vendida -, Evandro Rodrigues já havia tentado matar Maercio da Silva no mês passado.

O fato ocorreu no dia 18, quando o jovem desferiu três golpes de faca na vítima. Na ocasião, de acordo com boletim de ocorrência (BO), Silva, acompanhado pela mãe do suspeito, teria se dirigido até a quadra 2 da rua José Bombini, por volta das 3h40. Ele tentava localizar o jovem, que estaria fora de casa há três dias.

Segundo relatos da vítima, o agressor teria desferido golpes no abdome, peito, braços e costas de Maercio, que foi parar no Pronto-Socorro Central. Em seguida, Evandro teria fugido. O caso foi registrado como tentativa de homicídio.


Maioridade


De acordo com o delegado, mesmo tendo atingido a maioridade, Evandro Rodrigues foi encaminhado ainda ontem para a Fundação Casa, uma vez que era foragido do local.