10 de julho de 2026
Nacional

Nome de juíza assassinada no Rio estava em ?lista negra?

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - Uma juíza da 4.ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, foi morta a tiros na noite de anteontem, no bairro Piratininga, em Niterói, também na região metropolitana.

Segundo a polícia, a juíza Patrícia Lourival Acioli foi morta no momento em que chegava em sua casa. Testemunhas disseram que os criminosos estavam em dois veículos e duas motos quando dispararam contra a juíza, que estava dentro do seu carro.

De acordo com o delegado Felipe Ettore, responsável pela investigação do assassinato, Acioli foi morta com 21 disparos por um procedimento de emboscada. "A vítima foi executada em emboscada e alvejada 21 vezes", disse Ettore, na Delegacia de Homicídios da Barra, na zona oeste do Rio.

Segundo a polícia, as imagens flagraram o momento em que os criminosos fugiam após o crime. Eles ainda não tinham sido identificados até o final da tarde de ontem.

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) afirmou ontem que Patrícia integrava uma "lista negra" com o nome de 12 pessoas que estavam marcadas para morrer. A lista foi encontrada com um suposto traficante preso no Espírito Santo. "Ela (Patrícia) era um dos 12 nomes de uma ?lista negra? marcada para morrer encontrada com um suspeito de tráfico de drogas detido no Espírito Santo, isso porque a mesma era uma juíza criminal que realizava exemplarmente o seu trabalho no combate ao narcotráfico, em defesa da sociedade", diz nota assinada pelo presidente da entidade, Gabriel Wedy.

De acordo com a entidade, Patrícia é "mártir da magistratura no combate ao crime organizado". A nota ainda diz que o carro da juíza já havia sido metralhado anteriormente e "mesmo assim não tinha qualquer segurança a sua disposição".

De acordo com o presidente da Associação dos Magistrados do Rio, Antônio Siqueira, a juíza dispensou, em 2007, a segurança oferecida pelo Tribunal de Justiça aos juízes ameaçados - ela recebia escolta desde 2002. Ele disse que, na época, ela explicou que seu companheiro era policial e que ele se encarregaria de sua segurança.

Parentes da juíza, porém, contestaram a versão de Siqueira. Segundo os familiares, Patrícia continuava recebendo ameaças e as relatava por meio de ofício ao TJ do Rio. "Ela tinha solicitado escolta e o pedido tinha sido negado. Houve negligência na segurança dela", afirmou a médica Mônica Lourival, prima da juíza.

Outro parente bastante próximo de Patrícia que não quis se identificar disse desconhecer a informação de que a juíza havia dispensado a segurança particular. "Quando ela recebia essas ameaças, ela simplesmente expedia ofício e enviava ao tribunal, informando tudo aquilo que acontecia, e cobrando as providências que eles entendessem cabíveis", disse.

Patrícia Acioli foi enterrada no fim da tarde de ontem, no cemitério do Maruí, em Niterói. Cerca de 300 pessoas acompanharam a cerimônia.

O ex-marido da juíza, Wilson Junior, que é advogado, fez um discurso emocionado, no qual pediu que o assassinato da juíza não fique impune e não "vire estatística". "Se ela está morta hoje, em algum momento o Estado falhou", declarou.

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Casos julgados pela vítima


ago.2011 - Um oficial da PM foi o último policial condenado pela juíza, na quarta-feira. A arma do policial disparou e atingiu o jovem Oldemar Pablo no momento em que ele desferia coronhadas em Rodrigo de Oliveira. O agente foi condenado a um ano e quatro meses de detenção, em regime inicial aberto

nov.2010 - Decretou a prisão de quatro PMs e dois filhos de uma oficial PM por suposta participação em grupo de extermínio. De acordo com as investigações, a quadrilha seqüestrava acusados de envolvimento com o tráfico de drogas, cobrava valores que variavam de R$ 15 mil a R$ 30 mil e matava as vítimas após o pagamento do resgate. Com um dos condenados, Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos, foi encontrada uma lista de autoridades marcadas para morrer - entre eles constava o nome da juíza Patrícia Acioli

nov.2009 - Expediu mandado de prisão contra sete supostos milicianos que atuavam no bairro de Engenho Pequeno, em São Gonçalo. A quadrilha teria a participação de presos no Complexo Penitenciário de Gericinó

abr.2009 - Determinou a prisão de Luiz Anderson de Azeredo Coutinho, suspeito de comandar o jogo do bicho em São Gonçalo. Segundo as investigações, ele participou da execução de um homem que tentou desviar propina destinada a policiais