O livro "Uma Vila no Sertão Lençóes Século XIX" tem relatos curtos sobre a vida dos escravos, mas nos trechos documentados fica claro que à época, os escravos eram mesmo tratados como mercadoria, bens que eram comercializados entre os proprietários de terras.
Eva é personagem de uma das histórias. Segundo o autor, ela levou uma vida silenciosa, suas dores e alegrias, se as teve, não foram registradas. "Ela pertencia a Salvador Monteiro da Silva que a deixou como parte de seus bens. Coube a Pedro Jacinto Monteiro, seu filho, ficar com o bem. Ele a vendeu em 1862 a José Ignácio Rodrigues. Ignácio teria pago 200$ 000 pela escrava. No dia seguinte teria comercializado Eva por 1:500$00. O comprador teria sido José Custódio Pereira, um lavrador, casado que tinha pouco mais de 50 anos."
Pereira não era considerado um homem rico, nem uma liderança na vila, embora tenha sido vereador na 1a legislatura da Câmara. "Tudo indica que Eva à época que foi vendida a José Custódio tinha 20 anos de idade e ficou com ele até o fim da escravidão, em maio de 1888."
Morreu solteira, mas teve filhos de ?pais incógnitos". Juventina nasceu em 1867 e F
abiano no ano seguinte. Emiliana nasceu em 1871 e Ameliana em 1874. Na época de sua morte, 1890, Eva era uma mulher livre. Não chegou a presenciar o casamento de sua filha Emiliana e nem conheceu seus netos, Maria e Manoel, nascido respectivamente em 1892 e 1894.
Querubina foi uma escrava que nasceu na freguesia de Lençóes, mais ou menos no ano de 1862. Era filha de Francisca que também pertencia ao major José Inocêncio da Rocha, um rico proprietário de terras e escravos da região.
Francisca foi mãe de Delfina, nascida em janeiro de 1868 e outros, nascidos após a lei do ventre-livre: Gregório, nasceu em 1872 e Geraldo, em 1884. Ela morreu uma semana após a abolição da escravidão. À época estava com cerca de 50 anos de idade.
Querubina teve um filho que recebeu o nome de Albino, nascido em 1878 e sem pai declarado. Em 1881 quando a mulher do fazendeiro morreu deixou um documento no qual a escrava ficaria com sua filha Zeferina.
Segundo o autor, há poucas informações sobre Zeferina Gomes da Rocha, mas é certo que ela morreu solteira e 1910. Sabe-se que a escrava ficou com ela. Nessa época, Querubina teve outros filhos, Vitória, Emília e Domingos. Nascidos respectivamente nos anos de 1883, 1885 e 1887. Todos de pais incógnitos.
Querubina nunca se casou e conheceu a liberdade, em 1888. A lei a deixou livre com quatro filhos para criar. Sem condições de curtir a tão sonhada liberdade, ela permaneceu com os antigos senhores. Morreu aos 27 anos, em 1889, de recaída de parto.
Consta dos documentos que o major possuía um escravo nascido na África e trazido para o Brasil ainda menino. Ele se chamava Marcolino da Nação. Outra escrava citada no livro e de propriedade do mesmo major, era Luiza que teve uma filha que recebeu o nome de Eulália. A menina nasceu em 1881.