Uma inversão de papéis com ares até mesmo de revolução. É desta forma com que especialistas na área de psicologia avaliam a presença cada vez maior da figura paterna no cuidar dos filhos dentro de casa enquanto que as mulheres, antes dedicadas quase que apenas ao ambiente doméstico e às crianças, assumem a função de provedoras do lar.
O comprometimento feminino com a carreira e, consequentemente, enfraquecimento em massa do paternalismo, ajudou a trazer novos gêneros tanto para o mercado de trabalho, com o espaço cada vez maior conquistado pelas mulheres, quanto para dentro das paredes de casa, com os homens tomando à frente na hora de cuidar dos filhos.
A libertação desses estereótipos, com o surgimento de uma nova geração de pais, observa a terapeuta Lídia Rosenberg Aratangy, quebra a tradição cultural aonde os próprios homens são criados por mulheres, há muitas gerações, estando, desde a infância até a adolescência, cercados por hordas femininas, seja pela mãe, avós e tias, até madrinhas, babas, enfermeiras, empregadas, professoras ou vizinhas.
Os homens, lembra a especialista, tradicionalmente entram em cena mais tarde, geralmente quando os garotos entram na adolescência. Para ela, porém, o cenário tende a mudar com o novo espaço ocupado pela figura paterna do século XXI. "Os meninos são obrigados a compor uma figura masculina com base em informações equivocadas", considera.
Segundo a terapeuta, alguns conceitos como "expressar emoções é coisa de mulher" tendem a cair por terra neste novo perfil do universo familiar. Conforme os homens conquistam esse novo território, comenta, as mulheres, por outro lado, também precisam reconhecer e respeitar essa nova realidade. "Os filhos precisam aprender a lidar com o pai que eles têm, não com uma imagem filtrada pela mãe", salienta.
O anel que tu me deste
Autora de "O anel que tu me deste ? o casamento no divã", livro que reflete sobre esse novo perfil de pais, Lidia afirma que essa mudança, para ser definitivamente bem sucedida, necessita de um "empurrãozinho" feminino. "Para que haja uma mudança verdadeira, é preciso que os homens se aproximem do universo doméstico e que as mulheres não só tolerem, mas incentivem essas incursões", salienta, no livro.
Essa força, segundo ela, é fundamental, mesmo porque, seja por hábito ou natureza mesmo, algumas tarefas junto aos filhos são mais difíceis para eles. "Esses homens nunca puderam desenvolver uma maneira de trocar uma fralda, dar mamadeira, preparar uma papinha ou lavar a louça do jantar", exemplifica.
Os afazeres, acredita, necessariamente, ocorrem de um modo diferente do executado pelas mulheres. "Medidas e a ergonomia de homens e mulheres não são iguais", justifica. Ela enfatiza que, enquanto desenvolve essa nova faceta, o homem tem, inclusive, n o "direito de errar". "Há de haver uma maneira masculina de dar banho no bebê, preparar uma mamadeira e acompanhar o desempenho escolar dos filhos, inclusive uma forma própria de expressar emoções. Para desenvolver seu estilo, é preciso que o homem possa errar e corrigir o erro à sua moda", orienta.