O senador por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) foi, no mínimo, elegante ontem em Bauru ao comentar ao JC a avalanche de denúncias de corrupção envolvendo vários ministérios que deixam o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) numa encruzilhada. Aloysio observa, como vice-líder do PSDB no Senado Federal, o início do governo Dilma marcado por disputas internas, acirradas pelo fogo amigo de aliados e a indigesta relação entre a presidente e expoentes de seu próprio partido, o PT, como foi o caso da saída do então "superministro" Antonio Palocci, com a credibilidade arranhada após cerca de 25 dias ininterruptos de denúncias.
"A chance da presidente Dilma, agora, é se livrar dessa carga pesada que ela carrega e iniciar um novo estilo de governo. Vamos ver se ela tem condições de faze-lo", avalia o tucano.
A caminho da Câmara Municipal de Bauru para participar da eleição da Coordenadoria Regional do PSDB, Aloysio optou por um tom político ameno em seus comentários ao JC. "Esses problemas decorrem de um modelo de gestão política que já era antigo no Brasil, mas que foi exacerbado ao nível do paroxismo pelo governo Lula. Consiste na entrega de pedaços do Estado brasileiro. Inclusive dando alguns responsáveis por questões absolutamente essenciais, como agências reguladoras, diretorias de bancos oficiais e ministérios, para aliados do governo, como forma de angariar apoio parlamentar", analisa o senador.
Defendendo uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Aloysio define que a ocupação dos cargos corrói o sistema. "Ela (Dilma) é prisioneira de um sistema de cuja montagem ela participou como chefe da Casa Civil", define. A respeito de sua companheira de Senado Federal, a senadora Marta Suplicy (PT), Aloysio cita que o Ministério do Turismo, pasta comandada recentemente pela petista, é "uma fonte permanente de escândalos".
Para o senador tucano, caso o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União (TCU) examinem convênios do Turismo com ONGs e prefeituras para a realização de atividades, como carnaval fora de época, festas e programas de qualificação de mão de obra para a área do turismo, virá à tona que grande parte dos eventos são "frios e servem para desvio de dinheiro público". "Isso é uma coisa que, há muito tempo, vem acontecendo na gestão petista no Ministério do Turismo. Eu não posso afirmar que a senadora Marta esteja pessoalmente envolvida em qualquer um desses episódios. Mas o fato é que a prisão de um de seus principais auxiliares (o ex-presidente da Embratur Mário Moysés) na época em que ela era ministra abalou sua posição dentro do PT. Mesmo porque o fogo amigo é a regra nas disputas políticas dentro deste partido", ressalta Aloysio.
Time político
Quanto ao fato de apenas agora, nos primeiros oito meses do governo Dilma, eclodirem os escândalos no Ministério dos Transportes e, na sequência, no Turismo, o senador tucano argumenta que a corrupção não foi ignorada pela oposição durante os dois mandatos de Lula (2003-2006 e 2007-2010).
O que mais preocupa o Aloysio é o reflexo negativo para o País, devido ao risco à governabilidade do governo Dilma. "É a perda da autoridade presidencial para conduzir políticas que levem ao desenvolvimento do País e que armem o Brasil de políticas eficientes para enfrentar a crise econômica que, seguramente, virá", alerta o senador da oposição.
Ele diz que a vantagem atual é que a presidente Dilma não subestima a questão econômica. "Para ela não é mais uma marolinha", alfineta. Ele avalia a necessidade do governo federal estar pronto para uma série de medidas para enfrentar a queda de receitas vindas do comércio exterior, dificuldade de financiamento, aumento de déficit de contas correntes, necessidade de corte de gastos de maneira seletiva, para não causar recessão. "Tudo isso precisa de apoio político baseado em convicções e não em troca de favores", define.
Tucano na cabeça
Aloysio Nunes Ferreira atribui à direção local do PSDB a definição de uma posição política de lançamento ou apoio de outra candidatura para a eleição municipal ao Palácio das Cerejeiras, no ano que vem. Dessa forma o senador evitou opinar em um assunto local em que trafega no tabuleiro político bauruense até uma eventual composição PMDB-PSDB, com o PSDB saindo com o vereador Marcelo Borges como vice na chapa de reeleição do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
O senador alertou que é preciso transformar em voto o apoio obtido nas urnas no ano passado. Ele obteve na briga por uma vaga ao Senado 177.166 votos, o que equivale a 46% dos votos contra 25% de Marta Suplicy e 28% de Netinho. "A minha vitória eleitoral, a nossa vitória, foi um episódio épico", comemorou em tom de campanha.
Contextualizando o desempenho na cidade e região, o senador defendeu a tese de que sejam feitas prévias em todas as regiões para se definir as candidaturas para 2012. O presidente do diretório estadual do PSDB, o deputado estadual Pedro Tobias, em rápida fala anterior à de Aloysio, havia defendido prévias com o argumento do caráter democrático do PSDB.
Em seguida, Aloysio visitou o trecho de 3,5 quilômetros da avenida Nações Norte, onde conferiu o resultado da obra que colaborou para se materializar. "Ele é o pai da avenida", afirmou Tobias.
O senador seguiu para Jaú, ao lado de Tobias, onde ambos almoçariam com políticos, militantes e simpatizantes partidários. Aloysio teria como agenda oficial em Jaú o 15º Encontro das Ligas de Combate ao Câncer da Fundação Hospital Amaral Carvalho.
Tobias defende renovação e Eclair é eleito
O PSDB passa por uma aberta renovação de seus quadros, mesclando "ex-combatentes" com sangue novo já para as eleições municipais do ano que vem. Como "ex-combatentes" pode-se citar o ex-prefeito de Lençóis Paulista Antonio Marise, que voltou ao ninho em 2010 após uma passagem relâmpago pelo PSC, e Élio Busch, ambos ex-coordenadores regionais.
Para apimentar o debate da eleição para a Coordenadoria Regional de Bauru, articuladora do partido em 20 municípios, o presidente estadual do partido, o deputado estadual Pedro Tobias, disparou, em sua fala ao plenário tucano, para que o partido seja mais democrático. Ele entende que a Coordenadoria é a primeira instância das decisões da região e o diretório estadual atue como segunda instância decisória, focando a definição de temas mais abrangentes de fortalecimento partidário.
Fechados em uma sala da Câmara, os 17 representantes dos municípios da região de Bauru definiram como coordenador regional Elizeu Eclair Teixeira Borges, como o JC havia antecipado na edição de ontem. Eclair é chefe de gabinete do deputado estadual Pedro Tobias e ainda ficou definido que João Lourenço será secretário da Coordenadoria Regional. A discussão foi exaustiva tanto que o nome de Eclair só foi anunciado com mais de uma hora de atraso, às 13h05. Ele substitui a Marcelo Borges, que finalizou o mandato de Antonio Marise. Marise ocuparia a coordenação no período de 2006 a 2008, porém seguiu para o PSC, ainda em 2008, para tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Borges finalizou o biênio e foi reconduzido para mais um biênio que se encerrou ontem, com a definição de Eclair para o cargo regional.
O novo coordenador definiu que não é dono da verdade. "Vamos procurar estar juntos com todos. Quero ter o Élio Busch à minha direita e toda aquela juventude à minha esquerda. Vamos aprendendo com ele, mas é a renovação e é a vida também", define Eclair.