09 de julho de 2026
Geral

Árvores sadias são arrancadas das ruas

Por Vinícius Lousada | Colaborou Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

A retirada de duas árvores sadias da quadra 24 da rua Saint Martin causou a revolta de moradores da região e de pessoas que costumam passar pelo local, onde admiravam as duas exuberantes sibipirunas, com 10 metros de altura cada uma, que existiam por lá até ontem. Embora, neste caso, o morador tenha obtido autorização da Prefeitura de Bauru para a supressão das árvores, essas ocorrências geram reclamações nas ruas. Outra vertente frequente de protestos é contra a falta de critérios da equipe da Emdurb que tem realizado podas drásticas em vários endereços e, ainda, dos serviços terceirizados pela CPFL que também geram muitas perdas desnecessárias de árvores.

A análise do caso das sibipirunas da Saint Martin começou a ser feita por técnicos da própria Secretaria municipal do Meio Ambiente (Semma) a partir do pedido de substituição das árvores pelo proprietário da residência na frente do endereço onde elas estavam plantadas. Diante dos argumentos do morador, o caso foi enviado ao Departamento de Água e Esgoto (DAE). A avaliação feita pela autarquia foi de que as raízes das sibipirunas estavam danificando as guias e sarjetas da via, comprometendo a ligação de saída de água, e também o muro da residência.

Alessandra Pirrezi, diretora do Departamento Zoobotânico da Semma, explica que o pedido para que as árvores fossem substituídas partiu do proprietário do imóvel. O termo substituição é utilizado porque o mesmo munícipe responsável pelo corte é obrigado, sob pena de multa de R$ 191,54, a plantar uma nova árvore no mesmo local. "A autorização é publicada no Diário Oficial. A partir disso, o particular tem 30 dias para cortar e mais 15 para plantar outra, de menor porte, mais adequada ao local", explica.

No caso das sibipirunas da Saint Martin, o proprietário alegou diversas reclamações de vizinhos por conta da árvore, além dos prejuízos à estrutura urbana, apontando que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), esporadicamente, fazia a poda do centro da árvore (poda em V) para evitar problemas com a rede elétrica, mas a medida não resolvia o suposto problema. "O técnico da Semma não autorizou a poda, mas nós não temos a competência que o DAE tem para avaliar as questões do prejuízo à rede de água e esgoto, por exemplo", pontua Alessandra

As sibipirunas

As sibipirunas são encontradas em grande escala na área urbana de Bauru. Embora não sejam adequadas para isso, em razão de seu porte que interfere na rede elétrica e em outras estruturas tipicamente urbanas. "A maioria delas são de 50 anos atrás, quando eram moda e não havia a preocupação do plantio de espécies adequadas", observa.

O problema é que a retirada constante de sibipirunas é problemática para Bauru, um município deficiente em arborização urbana. Segundo botânico consultado pelo Jornal da Cidade, dependendo do caso, é possível intervir nas raízes de árvores que interferem nas redes de água e esgoto sem precisar arrancá-las.

Segundo Alessandra, apesar dos constantes pedidos para substituição de árvores, a Semma trabalha para evitar que elas sejam necessárias.

"Tem gente que pede até por conta do entupimento de calhas com as folhas, sendo que é muito mais fácil limpar a calha do que cortar a árvore. As pessoas querem árvore para ter sombra e estacionar seus carros, mas não querem em frente de casa para evitar o acúmulo de folhas. Por conta disso, adotamos critérios muito específicos", afirma.


Podas sem relatórios

Outro problema apontado pela diretora do Departamento Zoobotânico da Semma, Alessandra Pirrezi, é a poda de árvores realizada pela CPFL com o objetivo de evitar problemas com a rede elétrica. Esse serviço é terceirizado pela companhia, que deveria enviar ao poder público relatórios sobre as podas. No entanto, segundo Alessandra Pirrezi, isso não acontece. No mês passado, o titular da pasta, Valcirlei Silva, se reuniu com representantes da CPFL para cobrar mais responsabilidade nas podas.

"Precisávamos do relatórios para fiscalizar o serviço. Nossa intenção é que os funcionários das empresas que fazem as podas participem do curso de capacitação que a Semma oferece anualmente para os particulares", afirmou. Segundo a diretora, a CPFL nunca foi multada pelas irregularidades, mas já foi advertida em algumas ocasiões.


Último suspiro foi por falta de saúde

No último dia 25 de julho, uma carta publicada na tribuna do leitor, assinada por Diogo Lamônica, chamou atenção pela abordagem emocional dedicada ao arranque de uma sibipiruna, então localizada na quadra 27 da rua Joaquim da Silva Martha. O autor escreveu um texto, em primeira pessoa, pedindo perdão pelo ?incômodo? causado pelos seus 30 ou 50 anos de existência.

Segundo Alessandra Pirrezi, nesse caso, a autorização para a substituição da árvore foi concedida a partir da avaliação dos técnicos da Semma de que a sibipiruna não estava em boas condições de saúde, em razão de muitos troncos secos e da presença de cupins. Além disso, ela estava desequilibrada e corria o risco de cair. "Se fosse feito uma limpeza, não sobraria nada", constatou o relatório.

Secretário tem ?briga antiga? com CPFL

Em meio à questão da substituição das duas sibipirunas na rua Saint Martin, ocorreu ontem a inauguração simbólica da Praça da Copaíba, na avenida Getúlio Vargas, que foi adotada pela construtora Dinâmica. Na solenidade, o titular da Secretaria municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Gonçalves da Silva, conversou com o JC sobre a polêmica e afirmou que a briga em torno dos serviços prestados, via terceirizada ou não, pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) é "antiga".

"Nós não concordamos com as podas feitas pela CPFL. Não temos como controlar o crescimento das árvores. Já eles têm tecnologia para controlar as fiações. E multá-los não adianta, pois o valor da multa não faz diferença para eles. Então, procuramos plantar árvores onde não haja problema e resolver o impasse por meio da conversa", aponta o secretário.

Questionado sobre a substituição das sibipirunas na rua Saint Martin e do fato de o parecer da Semma ter sido diferente do emitido pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), Valcirlei explicou que é preciso "separar a emoção da parte técnica".

"Quando o DAE ou a Secretaria de Obras faz a avaliação de que a árvore está prejudicando de forma técnica, o melhor a ser feito é a substituição. Nós até analisamos a possibilidade de intervir somente nas raízes, porém, isso poderia prejudicar a estabilidade das árvores e elas poderiam acabar caindo com o vento, por exemplo. Então, não teve outro jeito a não ser retirá-las", completa o secretário.

Inauguração

A Praça da Copaíba, cuja inauguração simbólica ocorreu ontem, foi adotada pela construtora Dinâmica em parceria com a Semma e o Império das Plantas. "Nós quisemos transformar a famosa ?Praça da Árvore? em uma área bonita e agradável para as pessoas que frequentam ou simplesmente passam por ali", afirma Ricardo Aragão, sócio-diretor da empresa.

A solenidade contou com brinquedos para as crianças, barracas de pipoca e algodão doce e ainda aferição de pressão arterial, testes de glicemia e hepatite. Colaboraram a Biolab Laboratórios e Clínica de Vacinação e o Moron Studio Pilates e Physio.

Dentro do plano de ações desenvolvido para a praça, está a plantação de 70 palmeiras, 16 mudas de ypê e a colocação de grama no local e nos canteiros centrais. Houve também a criação de uma área de convivência. O espaço foi oficialmente batizado de Mário do Nascimento, em homenagem a um dos moradores da região que sempre cuidou da praça.