Mais um passo foi dado em direção à instalação do curso de medicina em Bauru. O reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas, determinou a criação de duas comissões para avaliar a possibilidade e a conveniência da implantação de uma escola de medicina na cidade. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado na última terça-feira.
As comissões terão prazo de 90 dias para apresentar relatório com os respectivos pareceres. Uma delas, formada pelos professores Marcos Boulos, Benedito Carlos Maciel e José Otávio Costa Auler Junior, irá estudar a viabilidade do curso sob o ponto de vista acadêmico. A outra, composta pelos professores Celso de Barros Gomes, Joaquim José de Camargo Engler, Antônio Roque Dechen, Waldyr Antônio Jorge e Welington Braz Carvalho Delitti, analisará o aspecto administrativo da proposta.
Segundo a assessoria de imprensa da USP em São Paulo, o estudo das condições acadêmicas e administrativas para que o novo curso possa ser instalado no campus de Bauru será submetido ao crivo de uma série de instâncias internas da Pró-Reitoria de graduação da universidade. Depois, haverá ainda necessidade de análise e aprovação do curso pelo Conselho de Graduação e Conselho Universitário da instituição, também por meio de várias instâncias, para posterior publicação no Diário Oficial.
A assessoria informou que não há prazo determinado para que a implantação do curso seja efetivamente aprovada ou reprovada. Ainda de acordo com o órgão, o reitor só irá se manifestar oficialmente após a elaboração dos dois relatórios iniciais, que serão apresentados pelas comissões daqui a três meses.
No entanto, em maio, o diretor do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP/Centrinho), José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, revelou que Rodas já havia dado o aval para o desenvolvimento do projeto de instalação do curso de medicina na USP em Bauru.
A implantação da faculdade de medicina é reivindicação antiga em Bauru e cada vez mais necessária pela expansão do município, importante polo regional de educação e também de atendimento hospitalar. Como o JC antecipou com exclusividade, em 20 de março deste ano, a retomada do movimento em prol do curso deu-se a partir de conversações iniciadas pelo deputado estadual Pedro Tobias com o governador Geraldo Alckmin e lideranças como Tio Gastão.
Mobilização
De acordo com Pedro Tobias, a participação de "Tio Gastão" neste pleito é importante porque trata-se de "um vencedor e referência na área de saúde em todo o País". "Todos os projetos que ele encabeça são concretizados. Além disso, é uma pessoa que vibra com Bauru, vibra com a saúde e é um homem que pensa no futuro", define o deputado.
A mobilização também conta com apoio do diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), José Carlos Pereira, que avalia a possibilidade de o Centrinho pode ser transformado em um hospital geral para receber a faculdade. Para "Tio Gastão", o novo Hospital do Centrinho poderia completar a rede de especialidades médicas de Bauru desenvolvendo ações pediátricas e para os idosos.
"Minha visão é bem clara e hoje não tenho dúvidas: tudo bem o Centrinho como hospital geral, mas um hospital geral pediátrico, que Bauru não tem. Temos que começar na prevenção com a criança", projeta.
Em junho passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a fixação de residência médica na cidade, com a utilização da estrutura já existente nos hospitais estaduais que funcionam no município, como forma de respaldar a futura implantação da escola de medicina. "A cidade é uma das maiores do Brasil, não tem faculdade de medicina e tem todas as condições de tê-la. E mais importante: faculdade de qualidade. Não adianta fazer uma escola por fazer. Por isso, o melhor é começar pela residência e a ideia é já tê-la a partir do ano que vem", reitera.
O movimento em prol do curso também conta com apoio do secretário municipal de Saúde de Bauru, Fernando Monti, e vereadores bauruenses, como o médico Paulo Eduardo de Souza (PSB), integrante da Comissão Municipal de Saúde.