08 de julho de 2026
Geral

Fogo consome terreno de linha férrea

Neto del Hoyo e Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Um novo incêndio na tarde de ontem tomou conta de parte do terreno que faz a transposição das duas linhas férreas da empresa América Latina Logística (ALL), na região entre o viaduto inacabado e o Viaduto Mauá.

Por volta das 13h40, o grupamento do Corpo de Bombeiros foi acionado para conter os focos que se alastravam com velocidade, em dois sentidos. "Num primeiro momento nos mobilizamos para conter as chamas para que não atingissem o Viaduto Mauá e, do outro lado, para que não chegassem aos trilhos onde estão alguns vagões carregados com combustível", afirmou o tenente Damiati, encarregado da operação dos Bombeiros.

O primeiro foco contido foi o que se aproximava do Viaduto Mauá e, segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, colocava em risco a estrutura já comprometida.

"Imagine se tivéssemos de interditar todo o viaduto por causa de um incêndio. É muito complicado, a situação por aqui já é precária. Nesse momento o trânsito tem que ficar impedido para que os Bombeiros possam trabalhar, o que atrapalha muita gente. Além disso, tem o problema das doenças respiratórias", diz.

Conforme constata o coordenador, o acesso da região central à região oeste (Vila Falcão) ficou comprometido, uma vez que parte da via foi interrompida para o trabalho dos Bombeiros.

Durante as quase três horas de trabalho foram utilizados três caminhões (Auto-Tanque, Auto-Bomba e Auto-Salvamento) e uma viatura de comando de área. Ao todo, nove soldados participaram da operação.

Causas


Segundo os Bombeiros, não há como precisar o motivo do incêndio de ontem, mas algumas teses são apontadas. "Não podemos determinar o que motivou o incêndio, mas nessa época do ano em que o clima está muito seco, qualquer bituca de cigarro pode acabar prejudicando um longo terreno. Temos que conscientizar as pessoas que parem de colocar fogo em terrenos achando que o fogo não se alastrará. Mais uma vez afirmo que, com o tempo seco do jeito que está, a situação fica mais complicada", destaca o tenente Damiati.

O coordenador da Defesa Civil ressaltou que a ALL tem ordens judiciais para manter o local limpo, e que o estado do terreno poderia ter motivado a queimada. "Não adianta cortar o mato e deixar secando", afirma.

Jogo de empurra


Procurada pela reportagem do JC, a assessoria de imprensa da ALL informou, a princípio, "não ter conhecimento do ocorrido". Posteriormente, em contato com a Redação, a empresa afirmou que "a área informada, ou seja, abaixo do Viaduto Mauá, não pertence à companhia".

Seria, então, de responsabilidade da prefeitura que, através de sua assessoria, rebateu em nota as informações da ALL garantindo que o terreno faz parte da área da companhia. "A Secretaria Municipal de Planejamento informa que a área citada pela reportagem é de responsabilidade da América Latina Logística, concessionária da União", diz.

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Moradores temem estragos maiores


Alguns moradores da região próxima ao incêndio de ontem temem estragos maiores com as sucessivas queimadas no terreno, abaixo do Viaduto Mauá.

O mecânico Paulo Henrique Siloto, 30 anos, mora e trabalha ao lado do Viaduto Mauá. Em meio aos carros que aguardam conserto em sua auto mecânica, ele conta que em menos de uma semana já foi castigado pelas queimadas no terreno, sendo que a anterior, ocorrida no sábado, por pouco não trouxe prejuízo irreparável ao morador. "Era mais ou menos na hora do almoço, e até perdi a fome. Joguei o prato de lado quando ouvi minha mulher me chamado. Tivemos que conter o fogo do nosso jeito, com uma mangueira e um balde d?água", conta o morador, mostrando a nova cerca improvisada feita com tábuas, substituindo as que foram destruídas pelo fogo. "Achei que dessa vez não ia sobrar nada. Minha mulher chegou a recolher as coisas para fugir".

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Outro incêndio
destruiu 5 t de recicláveis


Ainda na tarde de ontem, outro grande incêndio em Bauru voltou a dar trabalho ao Corpo de Bombeiros. Dessa vez, o fogo se espalhou por um terreno de recicláveis, localizado na rua Francisco Mandaliti, no Jardim Tangarás, e consumiu cerca de 5 toneladas de produtos depositados na área.

O incêndio começou por volta das 16h30, segundo funcionários do local, e foram necessários duas viaturas dos bombeiros para apagar as chamas, que chegaram a aproximadamente 3 metros de altura.

Após 20 minutos, as chamas foram contidas, entretanto, com o ar seco e mato no local, o fogo se espalhou e chegou a ameaçar algumas residências no entorno.

Outra preocupação era com a fumaça preta exalada da queima dos materiais, uma vez que o estabelecimento está localizado na beira da rodovia SP-225, conhecida como Bauru-Jaú, e poderia prejudicar a visibilidade dos motoristas. Felizmente, não houve feridos.