A carta do sr. Juca Regino, publicada nesta Tribuna no último 12/08, aborda com indignação merecida o câncer da corrupção que assola este País. Aliás, ele não é o primeiro a abordar esse assunto e nem será o último, até porque a corrupção envolvendo figuras públicas não é um problema de agora. Hoje a imprensa tem liberdade para denunciar, com responsabilidade, o que quiser, o que é ótimo. Não faz muitos anos falar das falcatruas do "japonesinho" do Geisel, ou do ministro-embaixador na França conhecido como "dix-per-cent" ou, ainda, das estripulias do filho do Leônidas na falida Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, falar disso era cana na certa.
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Durante esses anos todos só foram para o pelourinho os políticos, uma face da moeda da corrupção, e para diminuir - curá-lo talvez seja impossível - esse mal é preciso levar a ferros o outro lado da moeda, os corruptos, pois sem estes não existiriam aqueles. Os corruptores, muitas vezes travestidos de empresários, impõem aos políticos corruptos muitos nomes para comporem cargos chaves de empresas estatais, ministérios ou secretarias. Portanto, não basta vociferar apenas contra os políticos, é preciso atacar os dois lados da moeda se quisermos um mínimo de decência na vida pública do nosso Brasil.
Mário Lousada de Carvalho Jr.