10 de julho de 2026
Nacional

Alvo de megaoperação, empresa de pedreiro movimentou R$ 32 mi

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Salvador - Uma investigação iniciada ainda na década de 1990 resultou na descoberta de uma das maiores fraudes fiscais já constatadas no Brasil. O esquema conta com a participação de 300 empresas instaladas no País e no exterior e é responsável por um rombo nos cofres públicos estimado em pelo menos R$ 1 bilhão apenas em impostos federais, valor que deve subir com cálculo da sonegação de tributos estaduais.

Ontem (17), operação conjunta da Polícia e Receita Federais resultou na prisão de 23 pessoas e no confisco de bens que incluem uma ilha de 20 mil metros quadrados em Salvador (BA), além de lanchas, jatos e helicópteros, carros de luxo, caminhões, carretas, imóveis residenciais e parques industriais completos, com prédios e máquinas, e 2,5 quilos em barras de ouro. Os envolvidos são acusados de sonegação fiscal, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outros crimes que ainda estão em apuração.

Uma empresa que tinha como "sócios" um pedreiro e um motorista movimentou R$ 32 milhões entre 1996 e 2009, de acordo com o inquérito da operação Alquimia.

Atualmente pelo menos 165 empresas espalhadas em 19 Estados e outras 27 no Exterior integram a rede da organização criminosa para sonegar impostos, segundo a PF. A maioria delas têm perfil similar à da Zwrox Distribuidora de Produtos Químicos Ltda.

Segundo o inquérito, a Zwrox foi fundada por um frentista e um motorista em 1996 e chamou a atenção do fisco por causa da movimentação financeira incompatível com o capital de R$ 50 mil.

Depois, os primeiros "laranjas" foram substituídos no quadro acionário da empresa por companhias sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. Na prática, segundo a PF, elas eram comandadas por procuradores e contadores ligados ao esquema.

A operação Alquimia confiscou uma ilha de 20 mil metros quadrados nas proximidades de Salvador que pertenceria ao chefe do esquema fraudulento. No local foram apreendidos carros de luxo e barcos.

A investigação, que começou na década de 1990 numa empresa de Juiz de Fora (MG), foi feita pela Polícia Federal em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público Federal.