10 de julho de 2026
Regional

Recém-nascido teve traumatismo craniano, aponta atestado de óbito

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú ? O atestado de óbito do recém-nascido encontrado morto anteontem à tarde, no interior do guarda-roupa de uma casa na Vila Sampaio, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), apontou que ele teve traumatismo cranio-encefálico. Ontem, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) instaurou inquérito policial para apurar o crime de infanticídio (quando a mãe mata o próprio filho durante ou logo após o parto). A mãe nega e afirma que a criança já nasceu sem vida.

O recém-nascido, um menino, que pesava 2,995 quilos, foi encontrado por policiais após a mãe, a escriturária A.F.B., 21 anos, dar entrada no Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Misericórdia da cidade com hemorragia interna. Desconfiados de que ela tivesse praticado aborto, já que foram encontrados pedaços de placenta no útero da mulher, funcionários e médicos do hospital acionaram a polícia.

Em buscas na residência onde ela mora, policiais encontraram o bebê, já sem vida, dentro de um saco plástico, no interior do guarda-roupa. Segundo a polícia, a jovem escondeu a gravidez da família e do namorado. Quando entrou em trabalho de parto, ela foi para o seu quarto e deu à luz recém-nascido sozinha. Foi ela, inclusive, quem cortou o cordão umbilical que a unia ao filho.

A princípio, chegou-se a cogitar a possibilidade de o bebê ter morrido em função de uma hemorragia. Contudo, de acordo com a delegada Isabel Cristina Maziero Martignago, titular da DDM, o atestado de óbito da criança apontou traumatismo crânio-encefálico, com deformidade de caixa craniana e múltiplas fraturas, o que pode indicar uma agressão. Ela ressalta, contudo, que somente o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) poderá revelar a verdadeira causa da morte.

A escriturária, que passou a noite internada na maternidade da Santa Casa, teve alta ontem pela manhã. Em depoimento à polícia, ela negou ter matado o filho e declarou que ele já nasceu sem vida. A delegada, porém, não acredita nessa versão. "A princípio, o que ficou apurado é que essa criança nasceu com vida e ela, então, matou essa criança durante toda a influência do estado puerperal (após o parto)", diz. "Mas as diligências continuarão e pretendo concluir o inquérito nos próximos dias".

Além da mãe do recém nascido, Martignago já ouviu a médica que a atendeu e a assistente social da Santa Casa. "Segundo o depoimento da médica que fez o atendimento à paciente, a mãe já teria completado o período de gestação", explica. Nos próximos dias, outras pessoas serão ouvidas. A delegada também aguarda o resultado de alguns laudos que vão subsidiar o trabalho de investigação. Se for considerada culpada, A.F.B. pode ser condenada a pena que varia de 2 a 6 anos de detenção.