Ao ligar para a Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) com o intuito de solicitar a poda de alguma árvore do perímetro urbano de Bauru, o munícipe se depara com uma situação desconfortável. Sem condições operacionais para atender a demanda da cidade, os funcionários da secretaria respondem em tom de desânimo que o serviço pode demorar muito mais do que o esperado pela população. O serviço amarga atraso de três anos, segundo admitiu o próprio titular da pasta.
A crítica situação foi retratada em carta publicada na Tribuna do Leitor, no último dia 24, de autoria do leitor José Roberto da Silva. Sob o título "Poda do Desânimo", o texto descreve o atraso na prestação do serviço. As expectativas, poucas vezes em tom de promessa, são de 90 dias a 8 meses. Hoje, segundo a própria Semma, através da Divisão de Praças e Áreas Verdes (Dipave), são 184 áreas verdes na cidade (espaços que são da Prefeitura como terrenos e bosques), 627 praças, 73 áreas institucionais (centros comunitários) e 58 de lazer. Todas sob a responsabilidade de uma única equipe que conta com seis trabalhadores braçais.
"Hoje temos 123 funcionários no Dipave, mas essa divisão da prefeitura cuida também dos viveiros (produção de mudas). Para manutenção das áreas verdes são 50 funcionários, divididos em quatro equipes de limpeza de praças e mais uma única equipe para a poda e subtração de árvores com seis trabalhadores", explica Jorge Honório, encarregado do Departamento de Administração de Pessoal (Mini DAP).
Com a alta demanda a equipe da Semma é socorrida por outro grupo reduzido de cinco funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que também atende os pedidos de poda. "Só esse ano já registramos mais de 300 pedidos. É muita coisa", comenta Dirceu Antonio Feres, chefe de limpeza e distribuição de serviços da autarquia.
Segundo o próprio secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, as dificuldades para atender a demanda já se arrastam há anos. "Existe um atraso de três anos em nosso serviço. Tem árvore em tempo da segunda ou terceira poda que nem recebeu a primeira", explica.
A situação poderia ser amenizada com a chamada de novos funcionários já aprovados em concurso público realizado neste ano, o que para o Dipave traz uma expectativa um pouco animadora. O encarregado do setor administrativo conta que já foram comprados novos equipamentos de poda e que aguardam novos funcionários para até o meio de setembro estarem com uma ou duas novas equipes nas ruas. "Estamos aguardando a chamada dos novos aprovados no concurso. Aí teremos uma ou duas novas equipes exclusivas para podar as árvores", diz Honório.
Já Valcirlei parece menos otimista. "Esperamos a liberação da convocação dos braçais. Mas não temos expectativa nenhuma. A promessa é de dez técnicos (biólogos), que fazem o trabalho de emitir laudos entre outras tarefas e que também temos urgência. Já que liberaram esses dez, tenho que aceitar e agora resta esperar pelos braçais", resume.
Prioridades
Com uma equipe enxuta, a medida tomada pela Semma é de atender as demandas de urgência. "Primeiro verificamos o que é acidente, onde o atendimento tem que ser imediato. Os nossos quatro biólogos fazem a vistoria e dão o aval para ver se tem ou não risco. Já os outros pedidos, que podem ser feitos no Poupatempo, são encaminhados para a vistoria. Devido à demanda, ainda temos um tempo para estas vistorias serem feitas. Depois disso os pedidos vão para a lista de espera e aguardam a disponibilidade", explica Honório.
O secretário do Meio Ambiente afirma que os casos mais antigos acabam sendo deixados para trás, sendo os mais recentes atendidos primeiro. "Como eu disse, tem árvore que já estaria recebendo a segunda poda. Então, priorizamos atender a urgência e depois os pedidos mais recentes. Só depois teremos que analisar os pedidos antigos. Em alguns casos, a árvore pode nem existir mais", conclui o secretário.
Onde e como solicitar
Para solicitar a poda de árvores o munícipe deve procurar a unidade do Poupatempo na avenida Nações Unidas, 4-44, munido de RG, CPF e comprovante de residência (IPTU). "Vale lembrar que só o dono do imóvel pode solicitar a poda das árvores em seu terreno ou calçada", ressalta Jorge Honório.
Mais informações podem ser obtidas com a secretaria do Dipave através do telefone 3203-5390.
Podas drásticas podem gerar multa de R$ 500
A poda irregular de árvores no perímetro urbano pode gerar mais transtorno do que as folhas e galhos secos que incomodam a população. De acordo com a Dipave, o corte de árvores ou a poda superior a 30% das árvores pode gerar multa de R$ 500 ao munícipe.
"O cidadão pode contratar um serviço para realizar a poda e até mesmo o corte. Mas isso depende de um aval de nossos biólogos. No caso de corte total de árvores, é necessário que seja elaborado um laudo e a autorização seja emitida. Após isso o munícipe terá que arcar com todas as despesas e ainda plantar uma nova muda", explica Honório.
Em relação ao trabalho das equipes do Dipave e da Emdurb, o encarregado garante que "há instrução e orientação aos funcionários, e que as podas, mesmo em alguns casos aparentemente drásticas, são feitas de modo equilibrado".
O recolhimento dos galhos podados pela prefeitura também é de responsabilidade das equipes da Semma. "Assim que a poda é realizada, é acionado o recolhimento dos galhos que serão encaminhados para o Eco Ponto, para o Viveiro Municipal ou então, em casos mais extremos com maior volume, para uma área reservada no aterro", diz Honório, lembrando que em caso de corte total particular, os custos com o transporte também são do munícipe.