08 de julho de 2026
Nacional

Em crise com base aliada, Dilma flerta com oposição

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Em crise com os aliados, a presidente Dilma Rousseff encontrou afago, ontem, na oposição. Cercada por tucanos, ela transformou o lançamento do plano Brasil Sem Miséria na região Sudeste - programa que é o carro-chefe da ação social em seu governo - no gesto mais enfático de aproximação com o PSDB desde sua posse.

A cerimônia de apresentação do plano foi feita no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. Ao final, foi classificada pela presidente como "um grande pacto republicano", capaz de "mudar a realidade do País".

Para atuar ao seu lado como anfitrião de Dilma, o governador Geraldo Alckmin, convidou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - com quem ela já havia trocado elogios públicos.

Além de Dilma e Alckmin, participaram do evento os governadores Antônio Anastasia (MG), Sérgio Cabral (RJ) e Renato Casagrande (ES), além de cinco ministros de Estado - entre eles Ideli Salvatti, chefe da pasta de Relações Institucionais.

Apesar da presença dos aliados - Cabral é do PMDB e Casagrande do PSB, ambos da base do governo - os elogios mais efusivos à presidente partiram dos tucanos, especialmente de Alckmin.

O paulista só se dirigiu a Dilma como "presidenta" - tratamento majoritariamente empregado por petistas e aliados do Planalto - e atribuiu a ela "patriotismo", "generosidade" e "espírito conciliador".

No trecho mais explícito do discurso, Alckmin disse que disse que a parceria com o governo federal era um "marco". A fala do governador, em seu conjunto, foi interpretada como uma demonstração de rompimento com a relação imposta por seu antecessor no cargo, José Serra, com o governo federal. "Identifico aqui um marco: ultrapassamos o período de disputas, para unir esforços em prol dos que precisam", disse Alckmin.

Apesar de convidado, Serra não compareceu. Seus aliados mais próximos, como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), também não foram à cerimônia. Alckmin também fez elogios aos antecessores de Dilma, inclusive Lula.


Herança bendita


Ele atribuiu a FHC a origem do Bolsa Família, com a criação de programas como Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, mas creditou a Lula a iniciativa "inteligente", de dar a esses programas "unicidade e notável expansão".

Última a discursar, em retribuição, Dilma chamou os governadores de "queridos" e ressaltou em seu discurso, o aspecto "simbólico" do evento. "O grande pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando ontem é capaz de transformar a realidade social que vivemos", afirmou a presidente.

Numa menção a Lula, enalteceu sua política social.

Dilma fechou o discurso dizendo ver semelhanças com o projeto da oposição.