Jerusalém - Após efetuar novos bombardeios aéreos contra alvos na Faixa de Gaza, Israel prometeu ontem ampliar a retaliação à série de atentados que deixou oito israelenses mortos anteontem, perto da fronteira com o Egito.
Em resposta, o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza, rompeu trégua com o Estado judeu que durava dois anos, elevando a possibilidade de guerra. Os atentados também geraram tensão nas relações do Estado judeu com o Egito.
O governo egípcio apresentou uma queixa formal contra a morte de três soldados anteontem por Israel durante a perseguição aos terroristas e exigiu a abertura de uma investigação.
Centenas de pessoas protestaram em frente à embaixada de Israel no Cairo, exigindo a expulsão do embaixador e o rompimento das relações diplomáticas, estabelecidas há 31 anos.
Na faixa de Gaza, fontes palestinas informaram que chegou ontem a nove o número de mortos nos bombardeios israelenses. Foram atingidas várias instalações do Hamas.
Em comunicado, o Exército israelense afirmou que os alvos incluíram "uma fábrica de armas e locais de atividade terrorista", entre eles túneis que são utilizados para contrabando na fronteira com o Egito.
Nos primeiros ataques, ainda anteontem, foram mortos dois comandantes e três membros do grupo extremista Comitês de Resistência Popular (CRP), que Israel acusa pelos atentados.
Embora o grupo negue envolvimento nos atentados, Israel continuou a alvejar seus membros. Ontem, mais um comandante dos CRP foi morto ao ser atingido por um míssil israelense quando circulava de motocicleta em Gaza.
Grade
Em visita a soldados feridos no confronto com os terroristas, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse ontem que os ataques a Gaza "são apenas o começo" da retaliação aos atentados.
Netanyahu prometeu manter os ataques a Gaza e acelerar a construção da grade de proteção na fronteira com o Egito, por onde os autores dos atentados se infiltraram. Segundo Israel, os terroristas saíram de Gaza por túneis que ligam o território à península do Sinai.
Desde a queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, em fevereiro, o policiamento no Sinai deteriorou-se significativamente, e a península virou território livre para extremistas e contrabandistas.
Os atentados no sul de Israel, que atingiram ônibus e carros de passeio com tiros e granadas, foram os mais graves desde que Netanyahu assumiu o poder, em 2009. Em resposta aos bombardeios, grupos palestinos baseados na faixa de Gaza dispararam 22 foguetes e mísseis contra Israel, que deixaram sete feridos.