As faixas lindeiras das estradas são os principais pontos de vendas de produtos regionais. Pequenos produtores utilizam bancas e barracas para colocar suas culturas ao alcance dos consumidores finais. Evitam a ação dos atravessadores e comercializam produtos frescos direto com o cliente.
Comum nas estradas litorâneas, as atividades nas faixas lindeiras devem ser previamente autorizadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ou pela concessionária que administra o trecho. De acordo com a Lei nº 1093, de 22/09/1976, apenas produtos hortifrutigranjeiros e preferencialmente obtidos em instalações rurais próximas podem ser comercializados.
A lei prevê ainda que a localização deve atender às exigências de segurança e visibilidade para a via estabelecidas pelo DER, que fiscaliza constantemente a faixa e domínio das rodovias sob sua responsabilidade, como a rodovia Cesário José de Castilho (SP-321), entre Bauru e Iacanga.
No caso de rodovias sob concessão, como a SP-225 (rodovia Comandante João Ribeiro de Barros), que liga Bauru a Jaú, a João Batista Cabral Rennó (Bauru-Ipaussu) e a Marechal Rondon (SP-300), não cabe ao departamento a regularização e fiscalização deste tipo de atividade e sim as concessionárias.
O comércio lindeiro é, antes de tudo, interessante para as pessoas que curtem adquirir produtos típicos da região durante a viagem. A Bauru-Ipaussu, por exemplo, tem seis barracas de frutas de Bauru a Espírito Santo do Turvo. Algumas são sazonais, ou seja, só abrem na safra de determinadas frutas e legumescultivados nas imediações. Uma delas, batizada de "Sossego", tem frutas, legumes artesanato e um bom papo o ano todo. O local também é moradia do casal proprietário.
Na Bauru-Iacanga, a barraca do bairro Aparecida comercializa queijo fresco, frutas, abóbora e até leitoa. Os doces e o pão são produtos típicos encontrados apenas naquele local. O atendimento é outro diferencial. "Seo" João é bom de papo e quando não tem clientes para atender, agarra a Bíblia e reza, abençoando aqueles que transitam pela perigosa estrada cheia de buracos.
Na Rondon, o viajante encontra desde um simples refrigerante até churrascaria e roupas e confecções em couro, próximo da entrada de Areiópolis. Mas para aqueles que viajam com um pouco mais de tempo, um pesqueiro oferece sombra e água fresca, além dos pratos típicos. Os atendentes de barracas instaladas nas faixas lindeiras conhecem muita gente, famílias que viajam sempre por aquela estrada, caminhoneiros e viajantes. Na relação de compra e venda, eles fazem amizades, ouvem histórias e se tornam amigos.
O vendedor de roupas e confecção de couro de loja instalada na entrada de Aparecida de São Manuel por exemplo, diz que durante suas atividades faz bons amigos. No pesqueiro, que fica cerca de um quilômetro da Rondon, fazer amizade com clientes/viajantes já se tornou uma rotina para o proprietário.