09 de julho de 2026
Regional

Bauru-Iacanga tem produtos típicos da região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 8 min

Viajar pelas estradas do Interior com tempo para apreciar a paisagem é um privilégio. Há de tudo um pouco.

Árvores frondosas, pássaros e curiosidades para quem quer descobrir coisas novas. As faixas lindeiras acolhem barracas onde o viajante encontra desde uma água de coco fresquinha a um bom papo.

Na rodovia Bauru-Iacanga, quilômetro 365, bairro de Aparecida, a barraca de frutas e coisas caipiras é um desses raros locais em que é possível adquirir produtos cada dia mais difíceis de encontrar nos centros urbanos e, de quebra, ainda levar um bom papo com o atendente, que embora tenha sido batizado de João Ângelo Eccher é conhecido por João da Barraca.

Descendente de alemão, João explica que comércio anda ruim no local em comparação com períodos anteriores. "Antigamente, a maioria das mercadorias era da própria região. Mas, por conta da seca, o abacaxi está vindo de Minas Gerais, isso significa que viaja muitas horas que são contabilizadas posteriormente no preço."

Se Minas Gerais está longe, imagine então Tocantins, de onde está vindo a melancia. "A abóbora chega da Bahia". Antigamente, a barraca comercializava especialmente os produtos cultivados na região, era uma maneira dos pequenos produtores desovarem seus produtos.

Porém, nem tudo é ?exportado?, avisa seu João. "O pão é caseiro, obra prima da minha mulher. Ela usa fermento caseiro para não dar azia nos fregueses. Quem compra uma vez, sempre volta para comprar de novo de tão bom que é".

Além do pão há ovo caipira e queijo fresco, ambos fabricados na região. "O peixe é pescado por aqui. O frango e o carneiro são criados em propriedades das imediações. O frango vendido aqui é caipira, tem cor, assim como o ovo que tem gema avermelhada", avisa.

A barraca ficou famosa com a venda de um tipo de banana, a Missouri. "Aqui na região chegou a ter 13 mil pés dessa banana. Ela era pequena e muito doce. Vendíamos os cachos. Porém, o agricultor arrendou as terras para o cultivo de eucalipto e não temos mais a bananinha."


Os mais vendidos


A água de coco vendida da barraca vem de Petrolina, mas seu João recebe de um comerciante de Bauru. "O produto mais vendido é a água de coco, especialmente quando os termômetros apontam altas temperaturas. O pessoal corre para pescar e curtir o rio Tietê, passam por aqui e aproveitam para ingerir uma bebida gelada e natural."

Os finais de semana do começo de cada mês são datas inesquecíveis para o comerciante. "No final do mês o movimento é fraco. Já o final do ano é o melhor período. Vem muita gente de fora que além de adquirirem os produtos caipiras, valorizam a mercadoria. Temos moranga, doces e mel fabricados por aqui."

A linguiça caseira e o café torrado em uma propriedade da região são outros dois atrativos da barraca que também serve os industrializados, como refrigerantes, batata frita empacotada, doces em vidros.


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Barraca do Sossego tem até artesanato


Como o nome mesmo diz, chegar à barraca do Sossego, no quilômetro 266 mais 650 metros da Bauru-Ipaussu, é como encontrar um oásis no deserto. Decorada com artesanatos criados a partir de produtos regionais, ela também é o endereço de Inês de Jesus Vieira e o marido. "Todo mundo que para aqui diz que vamos viver 100 anos, porque aqui é o cantinho do sossego."

A mulher trocou a cidade pela faixa lindeira, onde mantém a barraca e a residência. Ela só não serve comida, mas se a emergência exigir, Inês corre para o fogão e trata logo de providenciar. "Já dei comida, porque muitas vezes o carro quebrava e até que viesse o socorro, eu ficava com a família. Isso não aconteceu uma única vez, foram várias em 15 anos."

Inês é daquelas pessoas de bem com a vida. O viver simples dela é sinônimo de cultivar orquídeas e fazer artesanato. Tudo o que ela encontra pela frente, vira vaso para planta, até o vaso sanitário velho. Sem contar que um par de botina virou vaso para orquídeas.

O pequeno espaço é dividido com dois cães e cinco gatos que participam da família. "Alguns apareceram e foram ficando. Nós moramos aqui há oito anos. Antigamente, não morávamos aqui. Trabalhamos como segurança, porteiro, mas optamos por levar uma vida mais saudável."

A barraca tem energia elétrica, o que garante o contato com o mundo externo através de uma televisão e um rádio que se alternam na tomada. Entre um atendimento e outro, Inês faz seus artesanatos. As purungas viram pequenas galinhas, porta ovos. Enquanto que algumas pedras ganham ilustrações e outras, bonecas. Os bichinhos são confeccionados de resina e recebem uma camada de tinta. As conchinhas também viram adornos.

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Sinalização é feita com melancia de madeira


Ao se aproximar do quilômetro 266, sentido Bauru-Ipaussu, o motorista logo descobre que mais à frente tem uma barraca, uma parada. Parte do caminho é sinalizado com fatias de melancia confeccionadas em madeira pintadas de vermelha. "Nosso forte é a comercialização de melancias em fatias, geladinha, e água de coco."

A abóbora caravela chega de Domélia, direto do produtor, já o abacaxi, banana prata, morango e outras frutas sazonais são compradas de diversos produtores, nem sempre da região, diz a comerciante. Além dos produtos in natura, o viajante encontra os industrializados, como doces embalados e fabricados na vizinha Piratininga e salgadinhos em pacotes, além dos refrigerantes, sucos e gelinho. "No verão vendemos caldo de cana."

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Dicas do seo João


Leitoa caipira: a carne mais firme indica que o animal foi criado no milho e não na ração.

Pão feito com fermento caseiro não provoca azia

Abóbora com olho (o fundo) pequeno indica que é macho. A com olho grande é fêmea, que tem semente granada, ótima para usar a semente para nova plantação

Ovo de galinha carijó tem mais cor

Moranga serve para doce, mas é ideal se recheada de camarão ou carne seca. As mais baixas são as mais indicadas.

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Caipiras & bom papo


Os principais fregueses da barraca, segundo seo João, são os viajantes. Pessoas que passam quase sempre pelo local e aproveitam a sombra de árvores frondosas para descansar e desenvolver um diálogo com o comerciante. "Eles reclamam da estrada. Cansam com mais facilidade porque ficam tensos."

O vai e vem dos viajantes e as constantes paradas provocam amizades na barraca, confessa o comerciante. "Alguns deles são bastante conhecidos meus. Todas as vezes que eles passam por aqui, param e quando não param, tocam a mão na buzina como que dando sinal que estão viajando por aqui."

O mecânico de tratores Adércio Luiz Malage mora em Lençóis Paulista, mas em função da profissão, viaja toda a região e, por vezes, fora do Estado. Ele curte as paradas na faixa lindeira. "É onde compro sempre produtos da região por onde passo."

Recentemente, esteve no Mato Grosso e de lá trouxe facas e pão caseiro para a família. "Aqui vou adquirir uma abóbora. Tenho uma pequena propriedade e vou aproveitar a semente. Claro que vai ter doce também."


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Histórias das estradas


Depois que a rodovia passou a ser controlada pela concessionária, grande parte dos problemas foi resolvida, argumenta a comerciante Inês Vieira. "Antigamente, os carros quebravam e os passageiros ficavam horas à espera de socorro. Agora, o atendimento é mais rápido."

Inês Vieira lembra que há cerca de dois anos passou a noite toda com uma família. "Eles viajavam de Jaú para o Paraná e o carro quebrou. O guincho demorou muito para chegar. Jogamos baralho para passar as horas."

Outro caso que ainda ronda da memória da comerciante aconteceu mais recentemente. "Um veículo quebrou e a família inteira resolveu voltar para Bauru, a pé. Eu não acreditava no que estava acontecendo."

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Um pesqueiro no meio do caminho


Quem transita pela rodovia Marechal Rondon no trecho Bauru-Botucatu e pela Bauru-Jaú tem a oportunidade de curtir algo diferente, ?quase? à beira da estrada. São pesqueiros que oferecem a oportunidade dos viajantes se alimentarem com comida caseira como prato principal . Para se livrar do estresse, o viajante também pode alugar uma varinha de pescar e fixar os olhos na água para fisgar uma espécie.

Há 14 anos instalado no mesmo local, Bauru/Botucatu, o pesqueiro tem uma represa e seis tanques. Na represa, você paga e leva o que pescou, que pode ser uma bela tilápia, uma carpa e tantos outros. No restaurante é possível saborear algumas das espécies com molhos e fritos em porções.

O paraíso além da estrada oferece ainda aluguel de vara e todos os apetrechos necessários para pesca. Se faltar isca, também tem à venda. O proprietário, Luiz Antonio Sandri, explica que desde que montou o pesqueiro fez muitos amigos.

"Eu recebo gente de Lençóis Paulista, Pederneiras, São Manuel, Botucatu, São Paulo e até do exterior. O fluxo maior de pessoas ocorre nos finais de semana prolongado, quando o pesqueiro recebe cerca de 180 visitantes."

Para os apaixonados por pesca, a partir de outubro, às terças, quintas e sextas-feiras o pesqueiro começa a funcionar no período noturno. A pesca noturna começa quando os termômetros apresentam altas temperaturas. "O visitante pode praticar pesca esportiva nos tanques. Ele paga menos porque não leva o peixe para casa."