07 de julho de 2026
Ser

Quem é você?

Por Cristina Rodrigues Franciscato | Especial para o SER
| Tempo de leitura: 5 min

Na antiguidade, quando gregos e estrangeiros iam ao oráculo de Apolo em Delfos deparavam-se, na entrada do templo, com algumas máximas. A mais famosa, o "conhece-te a ti mesmo" (Gnôthi sautón), ecoa ainda hoje e sempre ecoará: afinal, quem somos nós?

No contexto da antiga Grécia e de suas divindades, tratava-se de uma exortação para que o visitante recordasse sua condição humana e mortal, distinta e distante da natureza eterna dos deuses.

"Conhece-te a ti mesmo" é fundamental também para a filosofia de Satyaprem, antigo discípulo do Osho, hoje mestre com propostas próprias. Nascido no Rio Grande do Sul, teve seu primeiro contato com Osho ainda no início dos anos 80, de quem recebeu o nome Satyaprem, que significa "Amor pela Verdade".

Estudou jornalismo, dedicou-se à fotografia, pintura e poesia, publicando em 1983 seu primeiro livro, "PA", editado por Paulo Coelho. Por aproximadamente 20 anos, esteve voltado ao trabalho com terapia e meditação, atuando no Brasil, Europa e Índia, como parte da equipe de terapeutas da Osho Commune International.

Segundo ele, definitivamente, não somos quem pensamos ser. Não somos o corpo "que sente e necessita do espaço para existir" e nem a mente, "instrumento desenhado para pensar", que existe e atua no tempo.

Somos a consciência que testemunha o aqui e agora. Parece simples, mas requer espírito Zen para vivenciar. Quem quiser conferir, Satyaprem estará em Avaré no próximo fim de semana (informações abaixo) para um satsang.

Satsang é um termo que, em sânscrito, contém a ideia de "estar em boa companhia": "sat" significa "ser", e "sang", "comunidade", "companhia". Designa também uma reunião de pessoas que trilham o mesmo caminho espiritual.

Satyaprem o define como "encontro com a verdade". Na prática, satsang são encontros onde ele propõe investigar, dialeticamente, quem somos nós para além das convenções culturais e do que aprendemos a ser.

Há grande distância entre o que algo é de fato e o nome que a ele foi dado, mera convenção. Costumamos ver conceitos e não a realidade viva e pulsante que existe para além deles. Ao olharmos uma flor, o conceito de flor se interpõe entre ela e nossa consciência, roubando-nos a possibilidade de vivenciá-la como manifestação exuberante de vida, perfume, cores.

No jogo de aparências em que estamos inseridos seria oportuno resgatar o olhar inocente e curioso da criança, que interage com a vida sem tanta intermediação de conceitos e pré-conceitos, mas com alegria de viver a experiência.

Satyaprem propõe a investigação de todos os conceitos que constituem as ideias que temos a respeito de nós e do mundo: "satsang são conversas que o levam ao silêncio que você é no aqui e agora". Para isso é necessário não nos identificarmos com os conteúdos mentais.

A mente só existe no tempo e sempre está no passado ou no futuro. Em seu último livro, "Você é o Buda", diz Satyaprem: "o passado só existe porque você tem uma gaveta onde ele está guardado. Sempre que quer torturar a si mesmo - ou a alguém - você abre essa gaveta. O futuro tem o mesmo coeficiente ? é outra gaveta que contém, inclusive, uma projeção muito aproximada do que já acontecera."

A proposta é cortar o vínculo com o passado e o futuro e experimentar o agora: "Experimente! É muito mais leve do que todas as suas certezas. Por mais pertinente que pareça aos olhos da sua mente, carregar essas certezas é carregar um peso desnecessário".

Heráclito de Éfeso, filósofo grego do final do século VI a.C., dizia que "tudo flui" e que um homem não pode banhar-se duas vezes num mesmo rio, pois nem o rio, nem o homem seriam os mesmos.

Satyaprem propõe que se compreendermos quem somos ? a consciência que testemunha e não a mente que pensa ? seremos capazes de nos entregar a esse fluir e deixar de lado a ilusão, gerada pela mente, de que estamos no controle. Somos como uma folha no rio, que segue seu próprio fluxo. Resta-nos saborear o fluir.

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LIVROS DE SATYAPREM


Pa (Shogun Arte, 1983)

Fragmentos de Transparência (Editora Saúde, 2001)

Quem é você? (Leelahouse, 2003)

Satsang (Editora Ícone, 2006)

Aqui e agora (Editora Ícone, 2006)

Palabras despiertas (Espanhol, Leelahouse, 2006)

Além do Colapso das Possibilidades (Leelahouse, 2008)

Você é o buda (Edição do autor, 2011)

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Quem foi Osho


Desde sua infância, na Índia, Chandra Mohan Jain, ou simplesmente Osho, deixava claro que não seguiria as convenções do mundo à sua volta. Passou os primeiros sete anos de sua vida com seus avós maternos, que lhe permitiram liberdade de ser ele mesmo.

Ele nunca fugia de controvérsias. Para Osho, a verdade não pode fazer concessões, pois assim deixa de ser verdade. E a verdade não é uma crença, mas uma experiência. Ele nunca pediu às pessoas para acreditarem no que ele dizia, mas, ao contrário, pedia que experimentassem e percebessem por si mesmas se o que ele estava dizendo era verdadeiro ou não.

Ao mesmo tempo, Osho era implacável ao encontrar meios e maneiras de revelar, na visão dele, o que as crenças de fato são. Para o indiano, não passam de meros consolos para amenizar as ansiedades frente ao desconhecido, e barreiras para o encontro de uma realidade misteriosa e inexplorada.

Antes de morrer, em 1990, o guru mudou definitivamente seu nome para Osho - sinônimo de "oceânico". A placa sobre suas cinzas diz que ele "nunca nasceu, nunca morreu. Apenas habitou este planeta Terra entre 1931 e 1990".

? Serviço

Satsang com Satyaprem em Avaré: 26 a 28 de agosto. Hotel Acquaville: www.acquavillehotel.com.br. Informações e inscrições: Kamalesh, (14) 3346-2684 / 9734-6520. Site: www.satyaprem.com. Blog: www.satyaprem.blogspot.com