São Paulo e Palmeiras nunca estiveram em situações tão idênticas como neste domingo. E a torcida de um time nem pode provocar a do outro. Por enquanto, as brincadeiras ficam de lado, dando espaço à confusões e incertezas. A partir das 16h, no Morumbi, as equipes iniciam uma sequência parecida, que pode terminar com o astral lá no alto ou em uma crise profunda.
Vencer neste domingo, para qualquer um dos dois, significa ganhar moral para o desafio no meio da semana pela Copa Sul-Americana. Na próxima quarta-feira, o São Paulo precisa vencer o Ceará para avançar (perdeu o jogo da ida por 2 a 1) e, no dia seguinte, o Palmeiras recebe o Vasco também precisando do triunfo (foi derrotado no Rio de Janeiro por 2 a 0). No próximo domingo, novos clássicos na rodada final do 1.º turno do Campeonato Brasileiro: Palmeiras x Corinthians, em Presidente Prudente, e Santos x São Paulo, na Vila Belmiro. “É uma sequência que não é fácil. Temos de estar preparados e, se Deus quiser, vamos conseguir três vitórias”, apostou o palmeirense Maikon Leite.
Os números atuais jogam contra os rivais. O Palmeiras não vence há cinco jogos; o adversário está sem ganhar há três partidas. Os dois estão desfalcados. Situação diferente, apenas a dos treinadores. Luiz Felipe Scolari e Adilson Batista não andam bem das pernas, é verdade, mas apenas o palmeirense está com moral com a torcida.
Felipão fracassou em todas as competições desde que voltou ao Palmeiras, no ano passado, e nas últimas semanas tem entrado em rota de colisão com a diretoria, especificamente com o vice Roberto Frizzo. Mas nem isso tira o seu prestígio. O treinador só não perdeu seu cargo até aqui por ser quem é. Qualquer outro técnico teria sido demitido ou pedido a conta. Felipão se segura, muito pela fama que conquistou no próprio clube, com a conquista da Libertadores em 1999. E a torcida lembra que, se ele sair, a situação só tende a piorar.
Felipão pode não ser unanimidade com os diretores, mas continua firme no cargo. Ele conseguiu dar uma cara à equipe - forte na defesa, mas irregular no ataque. Muitas vezes, treina o time de um jeito e joga de outro. Para o clássico, não poderá contar com Valdivia, Thiago Heleno e Gerley, suspensos, e o machucado Dinei. “Quando já se tem uma equipe com número mínimo (de jogadores), fica em desvantagem. Mas a superação pode levantar o moral da equipe”, contou Felipão. “Este é um jogo diferente”.