09 de julho de 2026
Articulistas

Olhai os Lírios dos Campos!

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Planejar uma cidade não significa arquitetar edifícios e viadutos declinando das normas de proteção ambiental. O mundo atual toma outro rumo e pede novas definições. Com o desenfreado aquecimento global, as frequentes demonstrações de poder da natureza e a força incontrolável do desconhecido, o homem precisa patentear sua inteligência e repensar o futuro. As grandes metrópoles, onde o gris domina e a mistura grotesca de ferro, cimento e cascalho faz germinar a impermeabilização, não mais oferecem a fruição da qualidade de vida.

A modernidade solicita compartilhamento das áreas verdes, aproveitamento da iluminação natural e o uso esmerado da água pura das nascentes. O futuro do ser humano certamente não está nos edifícios ou nos imensos viadutos, tampouco no desmatamento, sequer nos condomínios de luxo, sejam verticais ou horizontais. A real condição da vida moderna, certamente se abriga no campo, na zona rural, onde a produção de alimentos e as fontes de água doce oferecem as verdadeiras e únicas possibilidades de subsistência no planeta. A sobrevivência da humanidade permanece onde o homem predador não consegue penetrar. Está no coração do caboclo simples, que ama a terra, preserva a natureza e não esgota seus recursos. Está na pequena propriedade, na chácara de produção de hortaliças, no pomar com seus frutos exuberantes, ou seja, no aproveitamento dos recursos em parceria com a mãe natureza. Feliz do morador do campo que resistiu aos modismos da ilusória modernidade e restou na mãe terra onde a semente germina e o rio cantante caminha. Este será o cidadão do futuro, pois tudo fenece ao deparar-se com a fúria incontrolável da natureza, apesar da audácia das invenções. O homem provendo o próprio homem, este será o retrato do mundo novo. Imperativo avaliar a desmedida importância oferecida à tecnologia para preservar o futuro da humanidade. Repensar a supervalorização das máquinas, poluentes incontroláveis do planeta, também seria prova inconteste de atitude inteligente. A grande verdade consiste em valorizar a natureza e seus tesouros, pois, se as cidades forem devastadas o campo proverá, porém, se arrasado o campo as cidades perecerão. Urge valorizar a zona rural, o agricultor, a fauna e a flora, antes de projetar aleatoriamente a zona urbana. Valorizar o verde, as serras, as montanhas, os vales, é o caminho a ser trilhado para que a humanidade possa voltar a ser prioridade, lugar há muito assumido pela tecnologia irrefreável e galopante.

A autora, Valderez de Mello, é escritora, advogada, pedagoga e psicopedagoga. Autora do livro: A Velha Adormecida e Trama e Urdidura