08 de julho de 2026
Geral

Furtos em escolas crescem e assustam

Tisa Moraes e Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 9 min

Ainda crianças, os cerca de 120 alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Maria Conceição Coimbra Gelonese, no Jardim Rosa Branca, não entenderam porquê, mais uma vez, alguns amigos não participaram das aulas e voltaram para casa. O motivo, cada vez mais comum, foi a invasão e furto da unidade, que "coleciona? a assustadora marca de 10 ocorrências somente neste ano.

As duas últimas ocorreram na manhã e tarde de anteontem escancaram um problema crônico vivido pela rede municipal de ensino. Até maio deste ano, 43 boletins de ocorrência já haviam sido registrados envolvendo furtos e atos de vandalismo nos estabelecimentos. No último fim de semana, ao menos outras duas unidades escolares registraram ocorrências semelhantes.

No Jardim Cruzeiro do Sul, um disparo de arma de fogo foi efetuado contra uma escola infantil e, no Núcleo Bauru 22, os ladrões "depenaram" outra. Incluindo os dois furtos de anteontem, os casos somam ao menos 47 ocorrências desde o início do ano, uma impressionante média de, no mínimo, uma escola invadida a cada semana.

Para tentar solucionar o problema, a prefeitura pretende contratar seguranças terceirizados que portarão armas não letais, mas até o momento, o edital para a abertura de licitação ainda não foi publicado. Enquanto isso, crianças são obrigadas a voltar para casa quando os furtos impossibilitam o desenvolvimento das aulas. Ao mesmo tempo em que deixam de aprender em sala de aula, são obrigadas, em tenra idade, a lidar com os efeitos da violência e da insegurança pública.

De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, até que a contratação seja efetivada, a administração manterá vigias municipais nas escolas mais visadas pelos criminosos. Mas, conforme ele mesmo reconhece, estes profissionais não possuem capacitação técnica ou ferramentas para confrontar os invasores.

"Eles agem de maneira meramente intimidatória. Não podem prender ou agredir ninguém. A função deles é acionar a polícia, por isso nem sempre o furto pode ser evitado a tempo. Mas serão eles que continuarão atuando por enquanto", observa. O prefeito, contudo, pondera que os danos ao patrimônio não são tão significativos já que, geralmente, os ladrões costumam furtar objetos de baixo valor.

De fato, na última segunda-feira foram levados torneiras, hidrômetro e pedaços de cano da Emei Maria Conceição Coimbra Gelonese, o que fez com que unidade ficasse sem água, forçando alguns pais de alunos a levar seus filhos de volta para casa.

A Secretaria Municipal de Educação, entretanto, revela que somente a reposição de vidros quebrados por invasores - sem contabilizar os objetos furtados - custa R$ 2 mil por mês aos cofres públicos apenas nas 16 escolas de ensino fundamental. Mas além do prejuízo financeiro, mães e responsáveis passaram a temer pela segurança de filhos e netos.

A sensação de impotência é intensificada porque, mesmo quando a polícia está próxima à escola, os bandidos não se sentem intimidados. Na Emei do Jardim Rosa Branca, por exemplo, existe um posto da Polícia Militar (PM) a menos de 500 metros de distância.

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Ousados


Dessa vez, os ladrões foram ousados e invadiram a escola Maria Conceição Coimbra Gelonese, no Jardim Rosa Branca, duas vezes no mesmo dia, nos horários em que o vigilante não estava na escola. Entre 6h e 7h, danificaram a porta da cozinha, sem conseguir furtar nada. Mas, à tarde, entre 17h e 18h, invadiram novamente o prédio, levando torneiras e o hidrômetro, além de pedaços de cano.

O dano provocou um vazamento, que alagou parte do pátio da escola e interrompeu o fornecimento de água, o que fez com que algumas mães preferissem retornar para casa com seus filhos, devido à possibilidade de que não fosse servido almoço. Outras, sem ter onde deixar as crianças, decidiram por mantê-las na escola. Embora atrasado, o reparo foi feito por equipes do almoxarifado da prefeitura e, depois, o almoço foi servido para os alunos presentes.

De acordo com mães que permaneceram em frente à escola na manhã de ontem, em outras invasões foram furtados micro-ondas, botijão de gás, computador e até mesmo o telhado de uma casinha onde as crianças brincam, dentro do playground da escola. A cobertura, posteriormente, foi recuperada em um ferro velho.

A escola possui muros baixos e cerca de arame, onde é possível ver marcas por onde os invasores entraram. O prédio não possui alarme e, segundo a diretora do Departamento de Ensino Fundamental Elisabete de Oliveira Pereira, não há expectativa para instalação do dispositivo.

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Quem paga a conta


Se o número de invasões assusta, o prejuízo que esses crimes provocam também. Embora não haja informações oficiais sobre os valores totais envolvendo os danos causados em prédios públicos onde funcionam escolas municipais, a Secretaria Municipal de Educação confirmou que o prejuízo é grande.

A diretora do Departamento de Ensino Fundamental Elisabete de Oliveira Pereira deu como exemplo a reposição de vidros quebrados por invasores, que chega a R$ 2 mil por mês apenas nas 16 escolas de ensino fundamental.

A rede municipal de ensino de Bauru possui 76 escolas, entre ensino infantil e fundamental. "Os gastos não são pequenos. O número de invasões é muito grave", afirma.

Como outro exemplo, Elisabete cita o caso da escola de ensino fundamental Dirce Boemer Guedes de Azevedo que, no ano passado, foi invadida por três meses consecutivos e, nesse período, precisou ter vidros substituídos ao custo estimado de mais de R$ 2 mil.

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Luz no túnel


Para a diretora Elisabete de Oliveira Pereira, a saída para o problema é a contratação do serviço terceirizado de vigilância armada, que deve passar a atuar em 60 dias nas escolas municipais. "É a luz no fim do túnel para os diretores, que estão cansados de chegar na escola destruída, e para a secretaria, que não sabe mais o que fazer", comenta.

Atualmente, o edital para a abertura do processo licitatório está em fase de análise e não há previsão para que seja publicado em Diário Oficial. Segundo Elisabete, inicialmente serão vigiados 38 prédios escolares entre escolas de educação infantil e fundamental e almoxarifados da secretaria. Os vigilantes irão atuar das 18h e às 6h, durante a semana, e nos finais de semana e feriados durante 24 horas.

"Em princípio, a vigilância vai ser nos bairros de maior incidência de vandalismo e furtos", explica. Nas demais unidades, segundo adianta o prefeito Rodrigo Agostinho, serão mantidos os vigias da administração, como já ocorre, bem como sistemas de alarme e monitoramento.

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PM aponta três ações


Para o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, três ações imediatas podem contribuir para reduzir invasões, depredações e furtos em escolas, mas a proximidade entre a instituição e a comunidade é fundamental para manter a segurança.

"É necessário que a escola mantenha um relacionamento com aquela comunidade de tal forma que a comunidade veja a importância da escola e a necessidade de mantê-la em segurança. Temos que verificar se esses locais estão sintonizados com os moradores do entorno. Quando a comunidade percebe que não há essa sintonia, vêem a escola como corpo estranho", ressalta.

A primeira ação, segundo o comandante, é a aprovação do projeto que trata da atividade delegada, por meio da qual policiais militares podem prestar serviço à administração pública. O projeto ainda não foi enviado pela Prefeitura para aprovação da Câmara Municipal. A polícia também espera que a Prefeitura envie a relação dos funcionários da Vigilância Patrimonial para que possa oferecer treinamento em sala de aula.

Outra ação apontada por Garcia Filho é a intensificação da ronda escolar no período da manhã e tarde. No período noturno, através dos boletins de ocorrência, segundo o comandante, deve ser também intensificada a ronda nos locais que apresentarem mais problemas.

"Mas o importante é, sempre quando houver esse tipo de problema em escolas, que seja registrado boletim de ocorrência, porque é através dele que a gente consegue enxergar essa necessidade de patrulhamento", diz.

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Medo por segurança


A dona de casa Clara Cristina da Costa Amaral, que tem uma filha de 4 anos estudando na escola infantil Maria Conceição Coimbra Gelonese, prepara um abaixo-assinado para reivindicar mais segurança na unidade, já que o medo dos pais, segundo ela, é de que os filhos passem a ser ameaçados.

Ivone de Almeida Garcia, que tem uma filha de 3 anos frequentando a escola, lamenta a falta de segurança e a interrupção das aulas. "Daqui uns dias, minha filha pode ser refém e outro problema é a falta de aulas. Por causa da invasão, um monte de crianças foram levadas embora por suas mães. A escola faz o possível, mas sem segurança não tem condição, e a gente fica apreensiva, sim. A gente quer uma providência imediata", diz.

Já a avó de uma menina de 2 anos, Abigail Garcia defende a qualidade do ensino oferecido no local, mas lamenta a falha na segurança. "Essa é uma das melhores escolas da região. Infelizmente, o que acontece aqui é reflexo do que ocorre em todo lugar", observa.

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Nem cerca elétrica


Na madrugada de ontem, ladrões invadiram uma escola infantil no Núcleo Bauru 22. Além de vários eletrodomésticos, até lâmpadas, toalhas de banho e uniformes foram levados do local. Segundo o boletim de ocorrência, os ladrões provavelmente entraram escalando o muro lateral do terreno. Depois, arrombaram as janelas e começaram a furtar os objetos. Foram subtraídos fogão, carrinho de bebê, relógio de parede, ventilador, liquidificador, extintor, aparelho de DVD, computador, telefones e panelas.

No Núcleo Octávio Rasi, ladrões pularam o muro de uma escola infantil. Nem mesmo a cerca elétrica conseguiu inibir os invasores. Segundo o registro policial, a proteção foi arrebentada durante a ação. No local, os bandidos tentaram invadir a despensa, entretanto, não obtiveram êxito em arrombar a porta do local. Com isso, eles fugiram sem levar nada.

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Material furtado é encontrado


O telhado de uma casinha infantil, furtado em abril da escola municipal de ensino infantil (Emei) Maria da Conceição Coimbra Gelonese foi localizado em um estabelecimento que compra materiais para reciclagem, na quadra 12 da avenida Pinheiro Machado, no Jardim Rosa Branca. O proprietário da empresa, Leandro Freneda Dotta, 28 anos, alegou que desconhecia a procedência do objeto e afirmou ter pago R$ 5,00 pelo telhado de material sintético, cujo valor estimado era de R$ 1 mil, de acordo com o delegado Dinair José da Silva, titular do 1º. Distrito Policial (DP) de Bauru. O homem foi preso em flagrante por receptação qualificada e, se condenado, sua pena pode variar de três a oito anos de reclusão.