07 de julho de 2026
Internacional

Rebeldes tomam centro do poder

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Trípoli - As forças insurgentes na Líbia comemoraram ontem a mais importante vitória militar do levante popular travado há mais de seis meses no país - rebeldes tomaram Bab al Azizia, complexo que abriga a sede do governo e a residência oficial do ditador Muammar Gaddafi. Ele segue desaparecido.

Cenas transmitidas pela televisão mostraram rebeldes celebrando dentro do complexo. Insurgentes levantavam a cabeça de uma estátua do ditador como um troféu.

Tropas do governo e moradores favoráveis ao regime, porém, ainda disputam o controle de Trípoli. A violência, inclusive a de rebeldes, preocupa ONGs.

Após quatro dias de confrontos, rebeldes líbios invadiram ontem em Trípoli o complexo do ditador, cuja queda parece cada vez mais próxima. A entrada em Bab al Azizia, o conjunto de prédios que abriga a sede do governo e a residência oficial de Gaddafi, é a mais importante conquista militar dos insurgentes desde o início do levante.

Não estava claro, até agora, qual proporção do complexo estava tomada. Os rebeldes creem poder ter pleno controle da Cpapital nos próximos dias. Também é desconhecido o paradeiro do ditador, mas predomina a tese de que ele se encontra em Bab al Azizia.

À noite, manifestantes antirregime tomaram a simbólica praça Verde, onde Gaddafi reunia multidões de simpatizantes até dias atrás.

Com os primeiros rumores da entrada dos rebeldes em Bab al Azizia, mulheres eram vistas nas janelas cantando o "iú-iú" tradicional dos festejos em países árabes. Crianças foram às ruas agitando a bandeira tricolor, usada na Líbia antes do golpe de Gaddafi, em 1969.


Ação coordenada


A entrada em Bab al Azizia é fruto de uma ofensiva lançada há várias semanas. A ação envolveu avanço rumo a Trípoli coordenado por sul, oeste e leste e uma intensificação dos bombardeios da Otan (aliança militar ocidental), com respaldo da ONU.

Na chegada à capital, rebeldes enfrentaram forte resistência. Há dezenas de mortos entre civis e insurgentes. Grupos de moradores de Trípoli que apoiam o regime recorreram em massa a armas pessoais para defendê-lo

Um dos moradores pró-Gaddafi apontou uma metralhadora para o repórter ao ser questionado sobre uma eventual mudança de regime.

Trípoli ainda tem vários focos de combate, e há relatos de tiros disparados por franco-atiradores nos arredores do complexo de Gaddafi.

Causa medo entre oposicionistas o rumor de que agentes pró-Gaddafi agitam bandeiras rebeldes para despistar e atacar inimigos.

Os intensos combates transformaram Trípoli numa cidade disfuncional. A luz cai a toda hora, e a água corrente vem com pouca pressão. Boa parte do comércio está fechada. Há filas nos postos de gasolina. "Estamos enfrentando vários problemas, mas o maior deles é Gaddafi. Quando ele se for, tudo vai melhorar", afirma Redwan Khaled, 39 anos, morador do bairro de Janzur.