Dúvidas em concurso público realizado para economistas, falta de critério e controle para pagamento de horas extras, e para alguns servidores, e necessidade de acompanhamento sobre escolha de investimento em papéis no mercado financeiro levaram alguns vereadores a defender ampla apuração sobre a Fundação de Previdência (Funprev).
Alguns dos fatos já estão em análise na Comissão de Fiscalização e Controle. O presidente da Fundação da Previdência, Vanderlei Tomiati, afirmou ontem que pretende homologar o concurso público para o cargo de economista que aprovou, em primeiro lugar, com 100% de aproveitamento na prova, Gilmar Gimenes Campos. Irmão do conselheiro e ex-presidente da fundação, Gilson Gimenes Campos, Gilmar obteve apenas o 15º em outro concurso no mesmo órgão, para vigia, o que foi estranhado por vários vereadores.
A decisão de homologar o concurso contraria a vontade da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal de que o concurso seja cancelado em razão de indícios de possível favorecimento.
Vanderlei garante que o processo foi realizado ?dentro da lisura, moralidade e transparência? exigidas pelo poder público. "Tenho convicção de que tudo foi feito de acordo com a lei", pontuou. Para acatar a sugestão dos vereadores, o presidente da Funprev afirma que as possíveis irregularidades deverão ser provadas pelos parlamentares. "Se tudo girar em torno de suposições eu vou homologar o concurso público", garantiu.
O relatório produzido por Renato Purini (PMDB), relator do caso na comissão do Legislativo, ainda não chegou à Funprev. O documento já foi assinado por todos os membros da Fiscalização e Controle, mas ainda precisa ser submetido à aprovação dos demais vereadores em plenário.
E é no plenário que outras dúvidas sobre a gestão da Funprev vão ecoar. De acordo com Purini, passando pela análise de toda a Câmara, o teor do documento pode se tornar inclusive mais rígido. Há parlamentares que defendam a criação de uma sindicância na Funprev para apurar as possíveis irregularidades. Fabiano Mariano (PDT) vai além e quer o envio dos procedimentos à Promotoria das Fundações e Tribunal de Contas.
Além do cancelamento do concurso público suspeito, o parecer da comissão sugere que um novo processo seja conduzido por uma comissão externa e independentes, formada, por exemplo, por servidores da prefeitura.
Os primeiros documentos referentes aos problemas com o concurso foram levados ao Legislativo por Pedro Valentim. Posteriormente, a própria Funprev enviou documentações solicitadas pela Câmara Municipal. Além do grau de parentesco entre o aprovado no processo e Gilson Gimenes, o relatório aponta a existência de excesso de sinais e marcas, preenchidas duplamente, à caneta e lápis, na prova de Gilmar, que respondeu a todas as questões corretamente. No entanto, em outro concurso público para o cargo de vigia da Funprev, que exigia bem menos do ponto de vista programático, o mesmo candidato alcanço apenas o 15º. lugar na classificação.
O relatório de Renato Purini aponta ainda que a ex-presidente da Funprev e presidente da banca examinadora do concurso para economista, Elaine Aparecida Sementilli, é colega e mantém relação próxima de Gilson Gimenes Campos, o irmão do candidato.