A massa de renda das mulheres brasileiras subiu em velocidade maior do que a dos homens entre 2002 e 2011. A alta para elas foi de 68,2%, enquanto o rendimento deles ficou 43,1% maior no mesmo período. Os dados são de levantamento do Data Popular, divulgado no início de agosto durante o seminário "Tempo de Mulher", em São Paulo.
O estudo, que considera dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, mostra ainda que a massa de renda das mulheres passou de R$ 412,4 bilhões, em 2002, para R$ 693,5 bilhões neste ano.
A pesquisa do Data Popular mostra ainda que na divisão por classe social, 47,1% da renda das mulheres vem de trabalhadoras da classe C (ganho domiciliar médio de R$ 2.295,00), seguidas pela classe A (média de R$ 14.203,00), com 22,2%. Outras 20,7% integram a classe B (R$ 6.070,00) e 9,6% são da D (R$ 940,00). Por último, apenas 0,5% são da classe E (R$ 273,00).
De acordo com a pesquisa, as empresárias são as mais realizadas profissionalmente. Questionadas se sentiam satisfeitas no trabalho, 65% responderam que sim. O percentual é menor entre as autônomas (50%), profissionais liberais (48%) e funcionárias públicas (48%). As trabalhadoras empregadas apresentaram o menor grau de satisfação, apenas 37%.
Recordes
Enquanto alguns indicadores da economia já apontam para a desaceleração, o mercado de trabalho continua dando demonstrações de força. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE ficou em 6% em julho - a menor no mês desde o início da série, em 2002.
O mês também marcou o mais alto rendimento médio dos trabalhadores para julho em toda a série: R$ 1.612,90. Pela terceira medição seguida, o crescimento foi de 4% em comparação com igual período de 2010.
Para a consultoria LCA, esses números indicam "uma sinalização de robustez do mercado de trabalho, a despeito do arrefecimento dos indicadores de atividade".
Sem carteira
O total de vagas com carteira assinada cresceu. Mas, no setor privado, os salários subiram cinco vezes mais para empregados sem carteira do setor privado, tradicionalmente ligados a serviços.
Trabalhadores formais receberam R$ 1.480,30, em média, no mês de julho. A alta foi de 1,3% ante junho e de 2,5% no confronto com 2010.
Já os sem carteira receberam em média R$ 1.272,30 em julho. Seus rendimentos cresceram 6,9% em relação ao mês anterior, e 12,2% em relação a julho de 2010.
Segundo o coordenador da pesquisa de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, julho tradicionalmente é um mês de grande absorção de mão de obra pela indústria, que se prepara para o segundo semestre. A queda surpreendeu os especialistas, que esperavam uma taxa de desemprego acima do apurado, de até 6,4%.