São Paulo - O número de homicídios no Estado de São Paulo teve duas altas consecutivas em junho e julho, revertendo uma tendência de queda que vinha desde o início de 2010. Em junho, o aumento foi de 4,1%. Em julho, o percentual foi ainda maior: 20,1%.
Essa alta ameaça a meta do governo de manter o índice de assassinatos no Estado abaixo do índice de dez casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Nos últimos 12 meses, a taxa foi de 9,95 homicídios por 100 mil.
A taxa de assassinatos vinha em constante queda desde março de 2010, quando o índice chegou a 11,25 para cada 100 mil moradores. Em março de 2011, a meta do governo foi atingida, com 9,92 e continuou caindo até maio, quando atingiu a menor taxa dos últimos 15 anos (9,77).
Os indicadores poderiam ser ainda mais desfavoráveis. A taxa considera apenas o número de casos. Não leva em conta o número de vítimas. Ou seja, se morreram quatro pessoas em uma chacina, não são computadas quatro vítimas, mas um caso.
Os latrocínios também não estão incluídos, pois são considerados crimes contra o patrimônio -a vítima é morta durante um roubo. Até julho, 188 pessoas morreram em latrocínios no Estado neste ano.
Sinal de alerta
O governo afirma que a alta de junho e julho não preocupa, pois os índices de violência permanecem sob controle, mas especialistas apontam que os novos números acendem um sinal de alerta. "Enquanto as situações de criminalidade que estão lá no fundo do problema não forem solucionadas, essas altas da violência podem acontecer a qualquer momento", disse José dos Reis Santos Filho, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Situações de Violência e Políticas Alternativas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara.
Para ele, as verdadeiras causas da violência ainda não são totalmente conhecidas, e isso dificulta o combate efetivo aos índices de homicídio.
Não foi apenas o número de homicídio que cresceu. Em julho, os crimes contra o patrimônio também tiveram alta, com destaque para o roubo de veículos, que aumentou 11,32%.
Na Capital, os homicídios cresceram 14,9% em julho, menos que na média do Estado. Por outro lado, o crescimento do número de roubos de veículos no Estado foi puxado pela alta de 16,3% desse tipo de crime na cidade.
Sob controle
Para o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, o crescimento do número de homicídios no último bimestre é uma variação, não uma tendência. Um dos motivos para isso, afirma, foi ter havido no mês de julho cinco finais de semana. "Isso acontece, estatisticamente, a cada 800 anos. Vai ocorrer justo na minha gestão", diz. O policial disse ainda que o acompanhamento diário feito por ele em agosto mostra que este mês deve ser fechado em nova queda nessa taxa.
Sobre os crimes patrimoniais, como roubos e furtos, haverá ações especiais contra receptadores para tentar fazer reduzir.