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Malavolta Jr. |
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Nos últimos cinco anos, o mercado de imóveis em Bauru passou por grande aquecimento. Segundo economistas, o “boom” chegou a elevar o preço de imóveis em até 300% na cidade. Entretanto, não foi só na economia da cidade e em quem desejava realizar o sonho da casa própria que a questão refletiu. O fato causou uma mudança no perfil do corretor de imóveis, cujo dia é comemorado hoje (leia mais abaixo). Agora, mais do que corretor, os profissionais se tornaram “assessores” imobiliários.
Antes, o corretor era visto apenas como um intermediário na compra ou locação do imóvel. Agora, esses profissionais precisam exercitar uma série de qualificações, que vão desde noções de decoração até conhecimento técnico de construção civil.
Júlio César Cardoso trabalha há aproximadamente 20 anos como corretor de imóveis. Ele perpassou esse trajeto da profissão e confirma que o perfil mudou bastante. “Antes, era mais tranquilo. Sentíamos que o mercado era menos competitivo. Muitas vezes esperávamos o cliente vir até nós”.
Segundo ele, hoje, a competição aumentou e é preciso congregar várias informações para se destacar no ramo. “Precisamos saber da parte econômica, técnica, preço do metro quadrado, ter noções de acabamentos, entre outros”, explica Júlio Cardoso.
Essa mudança de perfil pode ser explicada exatamente pelo aumento no número de pessoas no mercado de trabalho. Com a valorização do setor e consequentemente da profissão, o corretor relata que muitos passaram a almejar trabalhar na área.
Em meio a esse aumento da concorrência, para se destacar, os corretores precisaram se transformar em “assessores” imobiliários (veja no quadro ao lado). “Precisamos nos destacar no ramo para ‘conquistar’ o cliente. Por isso, é necessário mais qualificação e mostrar resultados. Hoje, por exemplo, a pessoa compra uma casa e quer saber se o bairro será valorizado daqui alguns anos. Então, precisamos de todo esse conhecimento”, completa.
Clientes exigentes
Aliado à ampla disponibilidade de informações, o “boom” imobiliário intensificou a exigência dos clientes. Segundo os corretores, quem quer comprar ou alugar um imóvel encontra facilidade para pesquisar e, por conta dos altos valores, não querem cometer um equívoco.
“Então, precisamos sempre convencer e fidelizar o cliente. Precisamos passar confiança a ele e, para isso, é necessário a cada dia conhecer mais um pouco de tudo”, relata Susana Cristina de Abreu Laureano, que, em 6 anos de profissão, afirma ter tido que aprender conceitos que variam desde porcelanato até noções básicas de construção.
A delegada municipal do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Maria Geralda Ferreira Tavani, confirma a mudança no perfil da profissão e explica que o próprio órgão está se preparando para essa evolução. “Cada dia temos que estar mais qualificados. Essa mudança de perfil está ocorrendo. O Creci faz palestras mensais de preparação, motivação e outras maneiras de qualificar os profissionais. É um reflexo que temos que acompanhar”, finaliza.
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Lidando com um sonho
Além da mudança do perfil, evoluiu também a relação entre profissional e cliente. A corretora Susana Cristina Laureano conta que, com o aumento da exigência e do poder de “pechincha” das pessoas, já chegou a ficar dois anos negociando para concretizar uma venda.
“Depois de todo esse tempo, passamos a torcer pelo cliente. Acabamos criando um laço de afetividade. Muitos até ficam nossos amigos”, afirma.
Com 30 anos de profissão, Antônio Elias Ferreira também afirma ter feito vários amigos que, antes, eram clientes. “A pessoa está comprando um sonho. É o negócio da vida deles. Então, quando entendemos e lidamos com isso, é inevitável criar um laço com o cliente”, finaliza.
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Dia do corretor
Hoje, comemora-se o Dia do Corretor de Imóveis. A data foi escolhida pois em 27 de agosto de 1962 foi assinada a Lei 4.116, que “dispõe sobre a regulamentação do exercício da Profissão de Corretor de Imóveis”.
De acordo com a história, a profissão surgiu com o desenvolvimento das cidades, que tornaram comum a comercialização de imóveis. O nome inicial desses profissionais eram agentes imobiliários, passando somente depois para corretores.