Oferecer momentos lúdicos como forma de avaliar tensões, angústias, medos e traumas trazidos do ambiente familiar. Estes são os principais objetivos dos novos espaços Brinquedoteca e Ponto de Cultura, inaugurados pelo Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips) de Bauru na manhã de ontem.
Os novos espaços servirão de uso, principalmente, para mais de 213 crianças e adolescentes que fazem parte dos programas Cips Criança e Cips Jovem. Estes projetos atendem em período contraposto ao escolar oferecendo inúmeras atividades esportivas e culturais.
A Brinquedoteca é patrocinada pela Caixa Econômica Federal e o Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, através da Secretaria Estadual da Cultura e administrada pela Secretaria Municipal de Cultura de Bauru. O espaço, que era dividido por duas salas, ganhou novo colorido, computador, videogame, inúmeros livros e até um espaço de teatro com fantasias.
"Este espaço é muito importante para que essas crianças mais carentes percam a timidez e tenham também incentivo à cultura. Aqui é um lugar onde eles poderão exercer várias atividades, inclusive as de apoio às tarefas e trabalhos das escolas", pontuou a psicóloga Lídia Calleja.
Cerimônia
Todas as crianças e diversos representantes e apoiadores da iniciativa foram convidados para a cerimônia de inauguração dos novos espaços. Eles foram recepcionados carinhosamente pela Banda Marcial do Liceu Noroeste, que tocou vários clássicos do samba, trilhas de filmes, o tradicional Hino Nacional e, no final, um "Parabéns a você" em comemoração aos 51 anos do Cips Bauru.
O presidente da entidade, João Carlos Previdello, destacou que o Cips teve início em uma ação entre amigos. "Os amigos Alcides Franciscato e Roberto Previdello tornaram o sonho realidade há 51 anos. A intenção era a de promoção social porque o programa atendia também cidades da região. Hoje está restrito para Bauru. Fico feliz porque essas crianças procuram ser diferenciais e agora terão um espaço melhor. Para gostar do Cips, elas também precisam ter um espaço de carinho", disse Previdello.
Alcides Franciscato, ex-prefeito de Bauru, ex-deputado federal e empresário também idealizador deste sonho junto ao amigo, não pôde estar presente à cerimônia, mas, enviou um telegrama com palavras de agradecimento e incentivo.
História
O presidente da entidade, João Carlos Previdello, retomou a história do início do Cips. Contou que, antes do local atender jovens e adolescentes, ali funcionava uma fábrica de gelo. "Há 70 ou 80 anos aqui funcionava uma fábrica de gelo. O telhado teve que ser todo refeito para poder atender as crianças e nós conseguimos. Hoje temos o Cips Criança, o Cips Jovem, o Cips Aprendiz e, agora, o Cips Cultura", comemorou.
Há 5 anos, irmãos acordam
cedo para frequentar Cips
Os irmãos Endrielly Fernanda Castilho, 11 anos, e Endryl Fernando Castilho, 12 anos, mostram que a determinação e o apoio da família são a chave para o sucesso na vida adulta. Sem preguiça e com um belo sorriso no rosto, os dois acordam bem cedo de segunda a sexta-feira para ir ao Cips. Depois, seguem para a escola.
Eles contam, em uma conversa pré-adolescente "madura" que tiveram com a equipe de reportagem do JC, que gostam muito de frequentar o local e que ali aprenderam novos gostos. "Eu não gostava de esportes, por exemplo, e hoje eu adoro", disse Endryl. "Eu tive a oportunidade de ter muitas aulas diferentes. Tive até aula de ballet", acrescentou Endrielly.
Os pequenos "maduros e seguros" chegam ao Cips com o auxílio de ônibus urbano. Mesmo morando longe, no Parque Santa Edwirges, eles não desanimam. "Nós estamos aqui há cinco anos. Chegamos ao Cips através de uma prima nossa, que entrou um pouco antes e falava que era muito legal aqui. Então resolvemos entrar", contaram.
Endryl ficou maravilhado com a mudança dos espaços da Brinquedoteca e do Ponto de Cultura. "Nossa, ficou muito legal. O Cips está melhorando muito a cada dia. Este lugar antes eram duas salas. Agora virou uma. Ficou muito bom", opinou o garoto.
Quando a pergunta é "o que você quer ser quando ficar adulto?", Endrielly ainda fica confusa. "Ainda não sei". Mas o irmão é enfático. "Quero ser técnico de computação. Já sei mexer bastante no computador e vou aprender mais".