Trípoli - Rebeldes líbios disseram ontem que estão próximos de capturar Muammar Gaddafi, depois de a Otan bombardear um dos últimos redutos do líder deposto, mas não há sinais de um final iminente para a guerra ou as divergências internacionais sobre como lidar com as riquezas da Líbia.
Líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão dos rebeldes que goza de amplo apoio ocidental, pressionaram governos estrangeiros a liberarem patrimônio líbio congelado no exterior, e alertaram para a urgente necessidade de impor a ordem e restabelecer os serviços públicos para uma população traumatizada por seis meses de conflito e por 42 anos de um regime excêntrico e personalista.
Mas tradicionais aliados de Gaddafi na África, beneficiados durante anos pela generosidade dele e simpáticos ao seu discurso anticolonial, ofereceram um pouco de consolo ao líder foragido e irritaram os rebeldes ao se recusarem a reconhecer o CNT como governo legítimo, a exemplo do que já fizeram potências ocidentais e vários governos árabes.
Essa relutância da União Africana - somando-se à posição de grandes potências como China, Rússia e Brasil, que relutam em ver as maiores riquezas petrolíferas da África sendo dominadas por europeus e norte-americanos - pode retardar a liberação de fundos para os rebeldes.
Mahmoud Jibril, chefe do governo instalado pelos rebeldes, disse que há pressa. Em visita à Turquia, ele declarou: "Precisamos estabelecer um Exército, uma força policial sólida, para conseguir atender às necessidades do povo, e precisamos de capital e de bens".
Após combates com forças pró-Gaddafi, os rebeldes assumiram o controle do principal posto fronteiriço na estrada litorânea que leva à Tunísia, reabrindo assim um caminho para o envio de ajuda humanitária e de outros mantimentos a Trípoli.
Embora muitos Estados africanos tenham reconhecido o CNT, a União Africana disse que não tomará essa medida enquanto os combates persistirem, disse o presidente sul-africano, Jacob Zuma, após reunião da entidade em Adis Abeba. A posição oficial da UA é de defender que os envolvidos negociem a paz e trabalhem pela democracia.
Os rebeldes estão empenhados em demonstrar que estão no comando, mas há discrepâncias nas estimativas sobre quando o CNT irá se transferir formalmente de Benghazi para Trípoli.
Embaixador da Líbia no Brasil aceita rebeldes
Brasília - Após conflitos com diplomatas e compatriotas, o embaixador da Líbia no Brasil, Salem al Zubeidy, reconheceu ontem o Conselho Nacional de Transição (CNT). Zubeidy era conhecido por ser pró-Muammar Gaddafi, o que gerou atrito com outros funcionários na embaixada em Brasília.
No dia 19, diplomatas pró-rebeldes convidaram líbios a participar de comemorações pela tomada de Trípoli. Houve confronto entre os filhos do embaixador e os visitantes contrários a Gaddafi.
Segundo o embaixador, a demora em reconhecer o conselho deveu-se ao "estudo da situação" na Líbia. A mudança de posicionamento de Zubeidy não convenceu os diplomatas e os líbios pró-conselho hospedados na embaixada que o consideram "vira-casaca".