08 de julho de 2026
Saúde

"Nature" discute droga que apaga memória


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Até outro dia, elas eram ficção científica: drogas capazes de apagar a memória, como no filme estrelado por Jim Carrey, "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (2004). Mas o assunto já ganha as páginas da "Nature".

No cinema, um coração partido faz com que o personagem vivido por Carrey queira apagar a sua ex-mulher da memória. Na realidade, com a criação de substâncias capazes de manipular até lembranças antigas no cérebro, surge um movimento em favor desses medicamentos - ao menos para casos especiais.

"Dada a conexão entre a memória e o senso de si mesmo, alguns bioeticistas argumentam que, em vez de buscar uma solução numa pílula, deveríamos fazer o trabalho difícil, de transformar más experiências em coisas boas", diz Adam Kolber, da Escola de Direito do Brooklyn, em Nova York, em seu artigo publicado na "Nature".

"Esses argumentos não são persuasivos. Algumas lembranças, como a de bombeiros que vasculham cenas de destruição em massa, podem não ter nenhuma qualidade que as redima", retruca. Kolber argumenta que essas drogas podem ser a diferença entre uma vida saudável e um tormento eterno para quem sofre de estresse pós-traumático, por exemplo.

Um consenso quase unânime na discussão é que pesquisas nessa direção devem continuar, porque é por meio delas que os cientistas estão destravando os enigmas em torno da formação e do funcionamento das memórias.

"O propósito dos nossos experimentos era tentar entender a base molecular do armazenamento de lembranças, que antes disso era um mistério científico completo", afirma Todd Sacktor, líder do grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Nova York que, em 2009, descobriu uma droga capaz de apagar memórias específicas no cérebro de camundongos.

A defesa de Sacktor é acompanhada pelos bioeticistas. "A busca do conhecimento, se eticamente desenvolvida, deve ser estimulada", diz Volnei Garrafa, especialista em bioética da UnB (Universidade de Brasília).

"Mas a aplicação prática do conhecimento conquistado pela pesquisa deve ser controlada pelas leis, por comitês de ética e bioética, pelo Estado e pela sociedade."

Em seu artigo na "Nature", Kolber sustenta que esses mecanismos de controle já existem, e que incluir muitas barreiras ao uso desses medicamentos pode acabar sabotando seu potencial médico.

"Todas as drogas apresentam risco de uso inadequado. Uma droga desse tipo presumivelmente seria controlada e exigiria uma prescrição médica", conclui Kolber.

Desde a última segunda-feira, usuários de planos de saúde podem ter desconto de até 30% na mensalidade se aderirem a programas para estimular alimentação saudável, prática de exercícios, realização de exames preventivos ou mudanças de hábitos associados a doenças crônicas.

As vantagens estão em resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que acaba de entrar em vigor. A resolução permite ainda a oferta de prêmios como mudança para um plano com maior cobertura, descontos em medicamentos ou até mesmo bens materiais sem relação com saúde.

Como a norma é facultativa, as empresas não estão obrigadas a oferecer esses benefícios. Caberá a elas também definir como irão incentivar e fiscalizar o cumprimento dessas práticas mais saudáveis.

A ANS proíbe, no entanto, que os descontos ou prêmios estejam atrelados a resultados práticos. Não poderá ser exigido, por exemplo, que alguém emagreça em decorrência das atividades propostas nem que passe a utilizar menos os serviços cobertos pelo plano de saúde.

As operadoras estão autorizadas também a fazer programas focados em grupos. Crianças com vacinação em dia, realização de exames preventivos para homens, no caso de câncer da próstata, ou mulheres para câncer de mama são alguns exemplos.

No caso de atividades mais difíceis de fiscalizar, como a prática de exercícios ou alimentação saudável, os planos poderão, por exemplo, indicar um profissional de saúde para fazer o acompanhamento e incentivar hábitos preventivos.

A gerente-geral de regulação assistencial da ANS, Martha Oliveira, explica que muitas operadoras já ofereciam programas de incentivo a práticas preventivas, mas a oferta de descontos atrelados a eles na mensalidade não era permitida.

Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), diz que a resolução é bem-vinda justamente porque uma das maiores dificuldades das operadoras representadas pela entidade era a baixa adesão aos programas.

Ele diz acreditar que, com a possibilidade de oferecer descontos e prêmios, a adesão aumente e mais empresas passem a trabalhar com iniciativas como essas. A Federação Nacional de Saúde Suplementar, outra entidade que representa empresas do setor, diz que ainda está estudando a norma e não quis se pronunciar.