Rio de Janeiro - Com a piora da perspectiva de crescimento nos Estados Unidos e na Europa, a política econômica brasileira entrou em uma fase de importantes dilemas.
Para o governo e uma corrente do mercado, trata-se de uma grande oportunidade para, com maior rigor fiscal, cortar mais rapidamente os altíssimos juros nacionais.
Mas há também economistas preocupados com essa abordagem. A visão é de que o bom resultado fiscal de 2011 está ligado a fatores que podem não se repetir em 2012, como receitas extraordinárias, o imposto de renda das empresas sobre os altos lucros de 2010 (quando a economia cresceu 7,5%) e, especialmente, gastos mais contidos.
Para 2012, avaliam alguns analistas, há o aumento de cerca de 14% do salário mínimo, as renúncias fiscais de programas como o Brasil Maior e a necessidade de retomar investimentos públicos, brecados em 2011.
"Acho que há um conjunto de sinalizações que mostra que eles (Banco Central) estão dispostos a cortar juros ainda antes de saber o que vai acontecer com a inflação", diz Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC.
Schwartsman reflete a preocupação de alguns analistas de que, apesar das expectativas de desaceleração no Brasil, a inflação ainda está muito alta e quase não há sinais de que o mercado de trabalho esteja desaquecendo.
Beny Parnes, diretor executivo do Banco BBM, diz não ver canais muito fortes entre a desaceleração global e a brasileira.
Os principais canais seriam o comércio internacional, que afeta a indústria nacional (que exporta menos) e o canal do crédito se, como em 2008 e 2009, a crise se traduzir numa retração dos bancos em âmbito global. O canal do comércio, porém, é visto por alguns como fraco, uma vez que a economia brasileira ainda é relativamente fechada.
Já Carlos Kawall, economista do Banco Safra, prevê crescimento de apenas 3,3% em 2011.
No seu cenário para 2012, ele viu riscos de o crescimento ficar abaixo de 3%. Assim, projeta quatro cortes de 0,5 ponto porcentual na Selic a partir de outubro.
Dessa forma, ele acha que o crescimento em 2012 pode ser de 3,7%, e a inflação de 5,2%. "Seria uma equação em que não se sacrificaria tanto o crescimento no ano que vem para trazer a inflação para (o centro da meta de) 4,5%", explicou.
Para Eike, Bovespa será primeira a se recuperar
Campos do Jordão - A bolsa brasileira vai ser a primeira a sair da crise e recuperar as perdas, avalia o empresário Eike Batista.
"O Brasil sofreu duas crises na bolsa e então vai ser o primeiro a sair, porque os números das empresas brasileiras são extraordinários", disse o executivo em entrevista à imprensa após palestra no 5.º Congresso Internacional dos Mercados Financeiro e de Capitais.
Para Eike, a Bovespa subiu muito até outubro do ano passado. A alta foi até maior do que deveria.
"Estava todo mundo pensando naquele crescimento (para a economia brasileira) de 7,5% ao ano e, a partir de agosto, se desenhou um crescimento ao redor de 4%. Aí veio a crise internacional junto", analisou.
Na sua avaliação, a melhora do mercado financeiro acontecerá quando as pessoas começarem a perceber os países que estão crescendo de fato, como Brasil, os países vizinhos da América do Sul e os da Ásia (como Cingapura e Tailândia), com crescimento superior a 4%, 5% e criando 30 milhões de empregos.
"Tem um outro mundo que está bombando. Quando as pessoas perceberem isso, a bolsa vai subir de novo", disse o executivo, destacando ainda a África.
"Angola cresce 10% ao ano e compra cimento e aço. O mundo parece que ignora a África".