Brumadinho - Representantes do Brasil, África do Sul, Índia e China, que formam o grupo chamado Basic, assumiram ontem que a conjuntura econômica mundial vai influenciar nas discussões da conferência sobre o clima (COP-17), marcada para o fim de novembro e início de dezembro em Durban, na África do Sul. Mas os ministros presentes ao encontro do Basic salientaram que o desempenho das nações em desenvolvimento diante das últimas crises econômicas, principalmente a registrada em 2008, dão "autoridade" para que se posicionem sobre as metas para redução das emissões de carbono, com objetivo de reduzir em 2º centígrados a temperatura mundial.
Ministros dos quatro países reuniram-se sexta-feira e ontem em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, para traçar uma estratégia comum a ser adotada na COP-17. Ao fim do encontro, salientaram que o atual cenário econômico terá peso nas discussões de Durban, mas não podem impor as metas a serem definidas no evento.
"A conjuntura econômica torna esse debate não só mais relevante, mas aumenta a capacidade dos quatro países aqui representados de influir sobre seus resultados e aumenta também a autoridade dos quatro países ao se posicionarem nessas discussões", observou o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota.
Avaliação semelhante fez o vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Xie Zhenhua, para quem o cenário econômico "terá influência" nas discussões, mas que cada nação tem seus problemas e o mais importante é chegar a um acordo. "Nunca se teve paz absoluta. Ter problemas é normal", afirmou, citando a necessidade de ações, principalmente por parte de nações em desenvolvimento, de criar políticas de combate à miséria e de inclusão social. "Mas a mudança climática é um problema de todos. Está ameaçando a vida no planeta. Estamos todos no mesmo barco", observou.
A China é um dos responsáveis pela maior quantidade de emissão de carbono, mas, segundo Xie Zhenhua, o País, assim como o Brasil, é grande exportador de produtos para nações desenvolvidas. "Estamos fazendo emissões para outros países", disse. Ele afirmou ainda que a China calcula em 27% a "transferência" de emissão de carbono graças a fabricação de produtos para exportação.
No entanto, afirmou, assim como o chanceler brasileiro, ser contra a adoção de medidas de pressão econômica para obrigar países a adotarem metas para redução das emissões de gases poluentes ou ratificarem, por exemplo, o Protocolo de Kyoto.
"Somos contra o uso da economia como medida unilateral", afirmou o representante chinês, para quem somente soluções "multilaterais", focadas no meio ambiente, podem garantir a conquista de resultados concretos. "São temas interligados, mas as negociações internacionais são compartimentadas. É importante que as discussões se desenvolvam dentro de seus marcos jurídicos", concordou Antonio Patriota.
Na reunião encerrada ontem, os quatro países dividiram tarefas para subsidiar as discussões da COP-17 e assinaram declaração conjunta criticando a "reduzida vontade política" de nações que não ratificaram o Protocolo de Kyoto.
"É difícil de conceber que um país deixaria o Protocolo de Kyoto para fazer mais", afirma a declaração, que ainda defende o financiamento de R$ 100 bilhões por ano até 2020, por parte das nações desenvolvidas, para o cumprimento de meta por parte dos países em desenvolvimento.