10 de julho de 2026
Nacional

Marco Sabino lança o livro ?História da Moda?


| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Tudo começou com uma insuspeita folha de parreira a cobrir o sexo de Adão. Os pré-históricos lançavam mão de fibras vegetais e de peles de animais; nos índios é notório o esmero com as pinturas corporais. Os drapeados das elites mesopotâmicas, o caimento dos vestidos gregos, as superfemininas estolas romanas, os plissados egípcios, a exuberância das vestimentas de muitas camadas das cortes europeias, imortalizadas em quadros na Renascença, tudo o que um dia foi moda - e que volta e meia reconhecemos nas coleções de estilistas contemporâneos - foi revisado pelo obsessivo pesquisador Marco Sabino.

Saldo de três anos de um trabalho tão solitário como fatigante, "História da Moda", o livro de arte de 416 páginas que está lançando (Editora Havana, R$ 150), traz como epígrafe: "O homem é o único animal que não se aceita como veio ao mundo". Para além da necessidade de se proteger das intempéries, está a vontade de ser visto em sua individualidade, acredita.

"Estilo é algo que sempre existiu. Na Roma antiga, se não fosse na roupa, tinha o cabelo, o penteado ?ninho de abelha?. Isso tudo é moda. O que nos faz querer mudar é a insatisfação", avalia Sabino. "Se os homens da pré-história viam passar um animal de pele bonita, talvez quisessem trocar com a que usavam. São suposições. Não existe nada registrado. Mas pesquisei bastante e coloquei muito ?talvez?. Não se pode ser categórico. Não estou fazendo apostila de escola."

Ele próprio é um homem inquieto. Foi menino observador e criativo a ponto de incluir nos contos fantásticos que escrevia, como mostra num caderno de páginas amareladas que guarda com todo o cuidado, detalhes do vestido da rainha feita personagem de seu castelo. Era "todo bordado a ouro com brilhantes". Tinha à época 10 anos.

Na hora de escolher a profissão, no entanto, foi em outra direção: medicina. No curso na Universidade Federal do Rio, já fazia bijuterias para as colegas. Formado, não suportou a frustração de trabalhar em hospitais públicos sem recursos, e, contrariando a família, que até hoje pede ajuda ao ex-doutor, trocou o jaleco pelas vestes de estilista. Seu novo livro, que sucede Dicionário da Moda, de 2006, com 1.400 verbetes, tem 24 capítulos, a metade dedicado ao longo período que se inicia com as peles de mamutes e que se estende ao século 19, e sua busca pela simplicidade pós-Revolução Francesa.

Cada década do século 20 mereceu um capítulo, começando com os primórdios da indústria da moda, propiciada pelas máquinas da Revolução Industrial, a gradual liberação da mulher (com a abolição dos espartilhos, a invenção do biquíni, da minissaia...), o ready-to-wear norte-americano dos anos 50, o advento dos designers superstars, de Chanel a Gianni Versace, Alexander McQueen e John Galliano.

A ambição do projeto: explicar as transformações por que passou a indumentária humana até chegar às passarelas de hoje, a da moda e a do show biz. Trabalhou sem qualquer colaboração, nenhuma estagiária a lhe ajudar nas pesquisas dos bancos de dados, com o Getty Images e a Corbis, as mais usadas. No Brasil, como não há tamanha quantidade de informação sistematizada, ele recorreu a reportagens de revistas antigas, como O Cruzeiro, Fon-Fon e Manchete.