08 de julho de 2026
Ser

?Decidi ser cantora para unir as pessoas?


| Tempo de leitura: 6 min

Ana Ferraz


Sem demonstrar cansaço após quatro horas ininterruptas de entrevistas, Wanessa Camargo escolhe seu melhor sorriso para receber a reportagem. Aos 28 anos e grávida de quatro meses do primogênito, José Marcos - homenagem ao avô, Zezé Di Camargo (Mirosmar José de Camargo), e ao futuro pai, Marcus Buaiz -, ela se mostra segura do que quer, na vida e na profissão. Wanessa lança seu oitavo CD, "DNA", fala de relacionamento, sexualidade, traição, espiritualidade e de como encara a maternidade sem encanações. "É uma fase de beleza diferente", sentencia.

Você acaba de lançar "DNA", todo em inglês. Por que essa opção?

Wanessa Camargo - Esse CD começou a ser feito há um ano, quando recebi do Mister Jam (produtor) uma música chamada "Falling for U". Sem nenhum trabalho em rádio, ela começou a bombar na noite. Cantei numa parada gay em Taboão da Serra, onde 10 mil pessoas sabiam a letra. Ao ver que deu resultado, resolvi trazer coisas pop para o disco. Fui descobrindo o CD durante a escolha do repertório. Algumas músicas tinham influência hip hop, outras mais house e eu fui dando a minha cara. Busquei muita coisa do eletrônico e do pop internacional e tentei trazer temperos latinos. A música de trabalho, "Sticky Dough", tem funk carioca. Queria um disco pra cima. Estou muito feliz, imprimi toda minha verdade, daí o nome "DNA".

"DNA" foi masterizado no Sterling Sound, em Nova York. Por quê?

Wanessa - Por causa da sonoridade internacional do CD. A Sterling trabalha com artistas nessa linha pop. Eu queria que fosse masterizado da mesma forma que os trabalhos de Rihanna, Ke$ha, Lady Gaga, Britney Spears.

Quais suas referências do pop?

Wanessa - Adoro anos 80: Poison, New Order, Information Society, ouço muita coisa. Neste CD, também tem muito do novo que está acontecendo. Busquei a Bam Bam, rapper oficial do Snoop Dogg, que está se lançando em carreira solo. A voz dela era a que eu queria para "Sticky Dough".

O que te inspira para criar?

Wanessa - Não sou um tipo de artista que nasceu para compor e em qualquer lugar tem ideia. Se eu não sentar ao piano, nada sai. Nas letras, gosto de abordar todos os temas. Algumas letras as pessoas vão associar, por exemplo, a um namorado. "Sticky Dough" é uma afirmação sexual, uma mulher que chama pra chincha. Vejo uma importante evolução da sexualidade feminina. Hoje, as mulheres estão falando de sexo mais abertamente. Ainda existe muito machismo, claro, aquelas que acham que falar de sexo é pecado, que é normal mulher não ter prazer. Nessa música, está uma mulher que sabe o que quer.

Você sabe o que quer?

Wanessa - Sou do tipo que dá a cara a tapa em busca do que eu quero. A maturidade me ajuda a pensar maior, avaliar melhor, mas não deixo de fazer as coisas.

Seu marido (o empresário Marcus Buaiz) dá opiniões sobre seu trabalho? Ele é ciumento?

Wanessa - Ele me ajuda em tudo. Não é ciumento, eu sou. Mas nunca tivemos brigas feias por causa de ciúme. Somos um casal prático, que trabalha muito. Estamos aprendendo muito juntos.

Mas você seguraria uma onda de traição?

Wanessa - Eu perdoaria. A fidelidade é mais que um desejo de beijar outra pessoa. Isso pode acontecer num momento de querer se afirmar. A fidelidade está na verdade. Olhar no olho e falar a verdade sempre.

Você sempre sonhou ser mãe?

Wanessa - Engravidar nunca foi um primeiro plano, talvez por ter posto a carreira sempre na frente. Mas sou muito família. Então, ser mãe iria fazer parte dos meus planos. Deixei o destino decidir. Estou feliz.

Que tipo de educação você pretende dar ao seu filho?

Wanessa - Quero que ele seja um ser humano de caráter, que tenha valores essenciais, como respeito ao próximo, que dê valor à vida. O que mais quero é que meu filho sonhe, acredite, tenha fé.

Sente-se preparada para ser mãe?

Wanessa - Ainda não faço ideia de como vou ensinar as coisas, mas ainda tenho tempo (risos). Quando ele começar a perguntar, aí eu vejo. Mas tem coisas básicas. Não quero nunca que ele veja um mau exemplo meu, uma briga. Quero manter um ambiente de serenidade e paz. Graças a Deus, escolhi a pessoa certa para ser o pai dos meus filhos.

E o nome, já está escolhido?

Wanessa - José Marcos, o nome do pai e do avô juntos.

Quer ter uma família grande?

Wanessa - Quero ter o primeiro para ver como é... (risos)

Você já teve fases de luta contra a balança. E agora?

Wanessa - Continuo me achando cada vez mais gorda (risos), mas é pelo meu filhinho, então está tudo bem. Quando meu médico me liberar, serei a triatleta do ano (risos). Por enquanto, estou muito doceira. É chiclete, chocolate, sorvete, mingau... Engordei seis quilos, passei dois quilos do ideal.

Você se preocupa em recuperar a boa forma depois de ter bebê?

Wanessa - Vou ficar barriguda, vai ter coisa que vai demorar pra recuperar. Eu tiro sarro de mim mesma: "Vai roliça, vai bochecha de Fofão". Mas é uma fase de beleza diferente. Claro que eu queria que só a barriga crescesse, não as pernas e o quadril (risos).

Você faz sucesso entre os homossexuais e nunca escondeu que curte uma boate gay, não é?

Wanessa - Gosto de boate em que toca música boa, que mistura todo tipo de público. Amo estar num lugar onde não existe só o empresário e a patricinha. E a boate LGBTS é assim. Pra mim, ser gay é ser alegre, olhar pra vida com olhos sempre do bem.

O que te move?

Wanessa - A felicidade que o amor traz, a paz interior. Tenho essa paz com minha família, meus amigos, com meu trabalho bem feito.

O que você mais ouve?

Wanessa - Dos brasileiros, Elis, Cazuza, O Rappa e Djavan.

Tem uma cantora referência?

Wanessa - Ana Carolina, Elis, Madonna. Adele, uma descoberta recente, e Tori Amos, cuja discografia tenho toda.

Como lida com as críticas?

Wanessa - Hoje, consigo enxergar o que tem fundamento e o que é baseado em recalque, gosto pessoal, preconceito. O que dói é a mentira. Fico p. da vida com inverdades.

Você segue alguma religião?

Wanessa - Não. Estudo Cabala, gosto do espiritismo, de algumas coisas budistas. Todas as religiões têm coisas ótimas e você tem de captar o que é melhor para você criar suas verdades. Cada um precisa de uma coisa. Eu preciso de fé.

Você tem medo de envelhecer?

Wanessa - Meu medo não é de ter rugas, não tenho problema nenhum com isso. Tenho pavor de perder a independência. Aí pega. Ficar flácida, cair tudo, não tem como brigar com isso. Eu não vou ser diferente de ninguém. Posso fazer alguma coisa, um botox, mas vai ter uma hora em que não vai ter jeito. Não vou virar um espantalho para tentar ficar esticada.

O que você sonha conquistar?

Wanessa - Quero melhorar, me superar como ser humano, amiga, irmã, cantora, cidadã, mulher. Quero me doar cada vez mais, levar mais luz dentro de mim para compartilhar. Vejo o mundo como uma unidade, que só será perfeita quando cada um amar o próximo como a si mesmo. Estou engajada nisso. Por isso, escolhi esta profissão. Nunca decidi ser cantora por dinheiro, por fama, mas para unir as pessoas.