10 de julho de 2026
Geral

Indecisão sobre carreira afeta metade dos estudantes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

A temporada de inscrição para os vestibulares já está aberta, mas metade dos estudantes do terceiro ano do ensino médio ainda não decidiram qual carreira pretendem seguir. Esta é a constatação de uma pesquisa realizada pelo Portal Educacional com dois mil adolescentes brasileiros. De acordo com o levantamento, 54% dos alunos que estão prestes a se candidatar aos processos seletivos possuem dúvidas sobre a escolha da profissão.

A adolescência é uma fase de transformações e, aos 17 ou 18 anos de idade, é aceitável que haja dúvidas sobre uma decisão que irá definir todo o futuro de uma vida. Mas, segundo avalia João Alfredo Carrara, diretor pedagógico e coordenador de ensino médio de uma escola em Bauru, esta realidade - que é presente na cidade - vem se acentuando nos últimos cinco anos.

"Sentimos que há uma imaturidade emocional muito grande. O imediatismo que caracteriza o estilo de vida da nossa sociedade, hoje, está reduzindo esta capacidade de tomada de decisão de longo prazo. As pessoas não tem tempo para refletir sobre isso com maior profundidade", cita.

Para tentar sanar as dúvidas, as escolas recomendam participação em palestras, feiras de profissões, realização de testes vocacionais e, se possível, ter contato com o universo vivido por estudantes ou profissionais da área de interesse. "Preferencialmente, este preparo dever ser iniciado desde cedo, não somente quando o aluno chegar ao terceiro ano", destaca Carrara.

A estudante Amanda de Almeida Magalhães, 17 anos, conta que realizou algumas pesquisas em sites e revistas, mas não conseguiu se decidir entre arquitetura, design e fisioterapia. "Ainda não sei, mas o mais provável é que eu opte por arquitetura. É um curso que uma prima minha já faz. Conversei com ela e achei uma área interessante. Mas é uma escolha muito difícil", afirma.

Já Caroline Bueno, 17 anos, está em dúvida entre relações internacionais ou história. "Sei que quero cursar algo na área de humanas. Já pensei em fazer biomedicina, mas desisti quando descobri que precisa saber muito de química, que é uma disciplina em que não sou tão boa", argumenta ela, que participou apenas de uma palestra para tentar buscar respostas para sua indecisão. "Eu pesquisei mais na Internet", revela. Segundo a estudante, são inúmeros os colegas de colégio que sofrem com a mesma angústia.

Critérios errados


Sem orientação adequada, os especialistas apontam que a decisão acaba sendo tomada a partir de critérios objetivos, mas nem sempre acertados, como os salários pagos na área pretendida e a perspectiva de crescimento do mercado - opção indicada por 18% dos entrevistados pelo Portal Educacional como uma boa forma de eleger a profissão.

"A maior preocupação é com o status ou o salário que determinada carreira poderá proporcionar. Eles não pensam que, se conseguirem identificar suas aptidões, poderão ser mais bem sucedidos, inclusive financeiramente", aponta Coolidge Hercos, proprietário e professor de uma escola de ensino médio e preparatória para vestibulares em Bauru.

São as escolhas equivocadas as principais responsáveis pelos porcentuais de evasão universitária, um índice que chega a 40% do total de matriculados. "Se não abandona, o estudante se forma e vai trabalhar em outra área completamente diferente, desperdiçando anos de estudo", observa Coolidge, que é um exemplo vivo desta realidade. Após formar-se em engenharia elétrica, decidiu cursar química, área em que atua até hoje.

Mas, apesar de todo o ônus, reconhecer o erro da escolha e fazer uma nova tentativa é melhor do que persistir na carreira equivocada, ele diz. "Acho que o aluno precisa esperar pelo menos o primeiro ano, que é mais teórico, e conversar com estudantes dos últimos anos do curso para depois tomar esta decisão."

Clóvis Terca Fidélis da Motta, 22 anos, preferiu abandonar a faculdade de engenharia elétrica bem antes deste prazo. Em 2009, após dois meses de curso, optou por voltar a estudar para conseguir aprovação no vestibular de engenharia aeronáutica, seu sonho desde a infância.

"É um curso muito concorrido nas duas instituições públicas que eu gostaria de cursar. Mas vou continuar tentando. Pesquisei muito sobre a carreira, conversei com estudantes e profissionais. Tudo só fez confirmar esse meu desejo de criança", pondera.

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Influência dos pais


Segundo Coolidge Hercos, proprietário e professor de uma escola de ensino médio e preparatória para vestibulares, os pais estão cada vez mais compreensivos e parceiros dos filhos quando o assunto é a escolha da profissão. "Eles dão muita liberdade para que os alunos optem por aquilo que eles gostam. Inclusive, nem fazem muita questão de que os filhos sejam aprovados em instituições públicas. Não existe uma pressão neste sentido", aponta.

Geralmente, de acordo com Coolidge, a influência se dá de maneira indireta, quando o próprio aluno decide seguir a carreira do pai ou da mãe. "Isso ocorre, principalmente, quando os pais são bem sucedidos profissionalmente. Da mesma maneira, também é comum alunos que acabam escolhendo carreiras relativas à área do professor com quem ele tem maior identificação", completa.

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Fuvest já está com inscrições abertas


A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona alunos para a Universidade de São Paulo (USP), abriu inscrições para o vestibular 2012 na última sexta-feira. Os interessados devem preencher formulário para participar do processo seletivo até 9 de setembro no site www.fuvest.com.br/portal/fuvest.

Ao todo foram disponibilizadas 10.952 vagas, que serão ocupadas pelos candidatos mais bem colocados nas provas que acontecem nos dias 27 de novembro (1ª fase) e de 8 a 10 de janeiro de 2012 (2ª fase). A lista dos aprovados será divulgada em 4 de novembro.

A próxima a abrir inscrições será a Universidade Estadual Paulista (Unesp), no dia 5 de setembro. Os candidatos a disputar uma das 6.629 vagas oferecidas terão até o dia 7 de outubro para preencher o formulário eletrônico de inscrição. A taxa para quem não solicitou isenção é de R$ 110,00.

A Universidade Sagrado Coração (USC) e as Faculdades Integradas de Bauru (FIB) também já possuem calendário definido. Na USC, o período de inscrições vai de 13 de setembro a 4 de novembro no site www.usc.br. Após o processo seletivo, a instituição realiza provas agendadas para ocupação das vagas remanescentes.

Na FIB, as inscrições permanecem abertas de 8 de setembro a 29 de outubro no site www.fibbauru.br. A prova para cerca de 2,3 mil vagas em 13 cursos está marcada para o dia 30 de outubro.

A Anhanguera Educacional de Bauru, União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo (Uniesp) e Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb-Preve) ainda não definiram datas para o processo seletivo tradicional. Entretanto, Anhanguera e Uniesp já realizam provas agendadas, com inscrições abertas nos respectivos sites (www.unianhanguera.edu.br e www.uniesp.edu.br).

Já o Iesb irá disponibilizar vagas também por meio de análise do histórico escolar. A Instituição Toledo de Ensino (ITE), Universidade Nove de Julho (Uninove) e Universidade Paulista (Unip) não divulgaram informações sobre calendários de provas.